Na foto, o líder regional do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Ulrich Siegmund
Partido Alternativa para a Alemanha (AfD) é o mais popular do país e busca garantir base para levar adiante sua agenda, que inclui fortes restrições à imigração
Pela primeira vez desde a 2° Guerra Mundial, extrema-direita tem maior bancada na Alemanha
O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou 43,8% dos votos na eleição estadual de Saxônia-Anhalt, no Leste do país. É a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido de extrema-direita alcança a maior bancada de um Parlamento alemão.
A vitória foi confirmada no último domingo (6). O partido superou a União Democrata Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, que obteve 17,5% dos votos, segundo os resultados preliminares divulgados pelas emissoras públicas ARD e ZDF.
"Fizemos história. É um sinal para a toda a Alemanha", disse o líder regional do partido, Ulrich Siegmund. "É um impulso que atravessa todo o país. É claro que temos um mandato para governar. Estenderemos a mão a quem quiser resolver conosco os problemas que surgiram neste país", acrescentou.
O AfD já é o partido mais popular da Alemanha em nível nacional e busca garantir uma base para levar adiante sua agenda, que inclui fortes restrições à imigração, o restabelecimento das relações com a Rússia, o corte do apoio à Ucrânia e a saída do euro.
Entretanto, a vitória não garante uma maioria capaz de transformar Ulrich Siegmund em ministropresidente — cargo equivalente ao de governador. A Alemanha é uma República Federativa, como o Brasil, composto por 16 estados. Provavelmente, o objetivo dependerá de uma negociação com outros partidos.
Repercussão interna
O chanceler Friedrich Merz afirmou que a vitória do AfD em uma eleição estadual demonstrou que são necessárias reformas, mas ressaltou que os valores democráticos fundamentais continuam válidos.
"Quero assegurar a todos em nosso país o seguinte: nossas instituições são resilientes e estáveis. Nossa Constituição protege e garnte essa ordem. Essa mensagem também se dirige aos nossos amigos na Europa e em todo o mundo", disse Merz — que descreveu a derrota como a pior da União Democrata Cristã (CDU) em décadas.
Nesta segunda-feira (7), líderes europeus começaram a mostrar os primeiros sinais de preocupação com a vitória do AfD. "É um momento grave na Europa ver a extrema-direita ganhar uma eleição regional na Alemanha", escreveu o ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polônia, Radoslaw Sikorski também se pronunciou, afirmando que o resultado da eleição é "um sinal muito preocupante". "Parece que faltaram poucos votos para alcançarem a maioria absoluta, mas isso é, de fato, um sinal muito preocupante", disse.
Apoio da extrema-direita
Por outro lado, líderes da extrema-direita europeus parabenizaram o AfD pela vitória histórica de domingo. O líder do Vox, na Espanha, Santiago Abascal, destacou que o "resultado espetacular é ótimo para a Alemanha e para a Europa".
O vice-primeiro-minsitro da Itália, Matteo Salvini, também saudou o "sucesso estrondoso que evidencia a forte procura de mudança, segurança e emprego", escreveu nas redes sociais.
Fora da Europa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou um gráfico com os resultados das eleições na Saxônia-Anhalt, em um sinal de apoio à AfD.
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