Nas semanas que antecederam as eleições, a fundadora da sigla, Sahra Wagenknecht, que no passado foi filiada ao antigo partido comunista da Alemanha Oriental, anunciou que a BSW estaria disposta a abrir caminho para que um político da AfD garanta o posto de governador. A colaboração não seria feita por meio de uma aliança formal, mas por meio da abstenção de seus deputados em uma eventual votação decisiva no Parlamento estadual.
A manobra permitiria ao partido de ultradireita emplacar seu governador por maioria simples dos votos, mesmo sem apoio das demais bancadas.
Caso a manobra passe, ela marcaria um resultado histórico para a AfD: o primeiro governo estadual do partido. Para a Alemanha, o resultado também seria impactante, marcando pela primeira vez desde 1945 a ascensão de um governo estadual liderado por uma legenda de ultradireita – com o adicional de que o diretório da AfD na Saxônia-Anhalt é considerado uma "organização extremista de direita" por autoridades de inteligência.
Como a BSW viabilizaria chegada da AfD ao poder
O mecanismo de abstenção contemplado pela BSW está previsto na Constituição da Saxônia-Anhalt. Nos dois primeiros turnos para a escolha do governador pelo Parlamento local, é necessária maioria absoluta dos deputados. Como a AfD não possui sozinha essa quantidade de assentos, dificilmente conseguiria eleger seu candidato nessa fase. Entretanto, se nenhum nome alcançar maioria absoluta e o Parlamento não optar por novas eleições, ocorre um terceiro turno, no qual basta obter maioria simples dos votos válidos. Nesse cenário, abstenções tornam-se decisivas.
Foi justamente essa possibilidade que o líder regional da BSW, Thomas Schulze, voltou a defender após a eleição. Em entrevista à emissora Deutschlandfunk, ele afirmou que, caso o candidato da AfD, Ulrich Siegmund, se apresente para a disputa, a BSW manterá sua posição de se abster em um eventual terceiro turno.
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