As torcidas organizadas de grandes clubes brasileiros passaram a ocupar também um espaço mais visível na disputa eleitoral de 2026. Pelo menos oito grupos já declararam apoio a ao menos 13 candidatos que concorrem a cargos como deputado estadual, deputado federal, senador e governador. A disputa pela Presidência da República, até o momento, ficou fora dos posicionamentos identificados.
O levantamento foi divulgado pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, e mostra que a atuação política das organizadas não está concentrada em uma única região ou corrente partidária. Os apoios aparecem em diferentes estados e envolvem candidaturas de partidos distintos.
Flamengo concentra diferentes apoios
No Rio de Janeiro, torcidas ligadas ao Flamengo declararam apoio a diferentes candidatos. A Raça Rubro-Negra passou a fazer campanha para Allyson Elias (PT-RJ) e Marcos Braz (PSDB-RJ), enquanto a Jovem Fla anunciou apoio a Leonardo Picciani (PV-RJ), candidato a deputado federal.
O posicionamento da Jovem Fla provocou reação entre torcedores nas redes sociais. Segundo reportagens publicadas após o anúncio, a manifestação política gerou críticas de parte da torcida do Flamengo.
No Botafogo, a Fúria Jovem declarou apoio a Fillipe Poubel (PL-RJ), ampliando a participação de torcidas organizadas fluminenses no processo eleitoral.
Torcidas também atuam em São Paulo e Minas Gerais
Em São Paulo, a Mancha Verde, torcida organizada do Palmeiras, passou a pedir votos para Vitão do Cachorrão (Podemos-SP) e Antônio Carlos Rodrigues (Podemos-SP).
No Santos, lideranças da Torcida Jovem manifestaram apoio a Caio França (PSB-SP). A relação entre o parlamentar e a organizada é anterior à atual eleição. Em 2019, a Assembleia Legislativa de São Paulo realizou uma sessão solene pelos 50 anos da torcida, com França como responsável pela homenagem.
Em Minas Gerais, a Máfia Azul, ligada ao Cruzeiro, declarou apoio ao ex-presidente do clube Sérgio Rodrigues (PRD-MG), que disputa uma vaga nas eleições deste ano.
Apoios chegam ao Sul e ao Norte
No Rio Grande do Sul, a Guarda Popular, torcida do Internacional, declarou apoio a Paulo Pimenta (PT-RS).
Já no Pará, a Remoçada, principal torcida organizada do Remo, adotou uma estratégia ainda mais abrangente. O grupo confeccionou bandeiras associando sua imagem a quatro candidaturas, Hana Ghassan (MDB-PA), Helder Barbalho (MDB-PA), Chicão (União-PA) e Tonhão (MDB-PA).
A variedade de nomes apoiados mostra que as manifestações das organizadas seguem interesses próprios e não formam um bloco político único.
Futebol e política se aproximam nas eleições
A presença de torcidas organizadas no processo eleitoral não é completamente nova. Esses grupos historicamente participam de debates que ultrapassam o futebol e, em alguns casos, desenvolvem atividades sociais e posicionamentos políticos.
No caso da Torcida Jovem do Santos, por exemplo, documentos da Assembleia Legislativa paulista registram uma atuação que inclui participação em discussões políticas e projetos sociais.
Em 2026, porém, a declaração pública de apoio a candidatos amplia a exposição dessas organizações durante a campanha eleitoral. A estratégia permite aos candidatos aproximarem suas campanhas de grupos com forte identificação territorial e capacidade de mobilização entre torcedores.
Ao mesmo tempo, os posicionamentos também podem provocar resistência entre integrantes das próprias torcidas. O caso da Jovem Fla, que recebeu críticas após anunciar apoio a Picciani, é um exemplo de como a entrada das organizadas na política eleitoral pode gerar divisões entre torcedores.
Até o momento, os apoios identificados estão concentrados nas disputas estaduais e proporcionais, sem registro, no levantamento divulgado, de adesão formal dessas oito torcidas a candidatos à Presidência da República.
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