Medicamento mais antigo e barato para diabetes continua imbatível nas diretrizes médicas

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Category: Health
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Nos últimos anos, o noticiário sobre diabetes e obesidade parece girar em torno de uma única sigla: GLP-1. Canetas emagrecedoras, injeções semanais, duplos agonistas… A sensação é a de que o tratamento do diabetes tipo 2 virou sinônimo de 'a última novidade da indústria farmacêutica'. Pois a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) acaba de publicar a atualização de sua diretriz de manejo do diabetes tipo 2, revisada em agosto deste ano, e o resultado surpreende quem imaginava que a metformina — comprimido usado há mais de 60 anos — havia virado coadjuvante. Não virou. Ela continua sendo, com a recomendação de maior força científica que existe (o chamado nível de evidência mais alto), o primeiro remédio a ser considerado ou prescrito assim que o diagnóstico de diabetes tipo 2 é feito. A recomendação vale para praticamente todo mundo: pessoas recém-diagnosticadas, com função dos rins preservada ou pouco comprometida, devem iniciar a metformina desde o primeiro dia de tratamento, junto com as mudanças de estilo de vida. É a mesma lógica adotada por diretrizes internacionais, e o motivo é simples: poucos remédios reúnem tanta eficácia, segurança comprovada por décadas de uso, baixo custo e efeitos colaterais previsíveis e bem administráveis. Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade Continua após a publicidade A nova diretriz e as combinações terapêuticas O que há de novo, então? A atualização deixa claro algo que muitos pacientes — e até alguns médicos menos atualizados — ainda confundem: a chegada dos inibidores de SGLT2, dos agonistas de GLP-1 e da tirzepatida não substitui a metformina, mas se soma a ela. O documento organiza o tratamento em combinações — duplas, triplas e até quádruplas — e, olhando essas combinações com atenção, um dado chama a atenção: mesmo nos pacientes classificados com risco cardiovascular e renal alto ou muito alto, aqueles com histórico de infarto, AVC, doença renal mais avançada ou vários fatores de risco somados, a combinação de metformina com um SGLT2, um GLP-1 ou a tirzepatida continua sendo uma das opções recomendadas pela diretriz. Continua após a publicidade Ou seja: a metformina não sai de cena quando o risco cardiovascular aumenta. Ela permanece na receita, lado a lado com os medicamentos mais novos. Isso faz sentido quando se olha para as evidências reunidas pelo próprio documento. Um estudo clássico, que acompanhou por mais de dez anos pessoas com diabetes tipo 2 recém-diagnosticado e excesso de peso, mostrou que quem usou metformina teve 42% menos mortes relacionadas ao diabetes e 36% menos mortes por qualquer causa, em comparação ao tratamento convencional da época. Continua após a publicidade Décadas depois, uma análise em cima de dezessete revisões da literatura científica confirmou o achado: pessoas em uso de metformina apresentaram menor mortalidade cardiovascular e menor número de eventos cardiovasculares do que quem não usava o remédio. Outra análise recente, que comparou o efeito de diferentes classes de antidiabéticos sobre desfechos cardiovasculares graves, mostrou algo notável: a redução de risco associada à metformina teve magnitude semelhante à observada com os GLP-1, os SGLT2 e a pioglitazona — famílias de medicamentos muito mais caras e 'badaladas'. Continua após a publicidade Isso não quer dizer que a metformina vá competir de igual para igual com essas classes em todos os cenários. Nos pacientes de risco cardiovascular e renal elevado, a diretriz é enfática ao recomendar que um inibidor de SGLT2 seja iniciado independentemente do nível de açúcar no sangue, justamente pelo benefício comprovado na redução de eventos cardíacos e na proteção dos rins. Para quem tem obesidade associada, os GLP-1 e a tirzepatida ganham prioridade pelo efeito sobre o peso. O ponto central da atualização, porém, é que essas recomendações não substituem a metformina — elas se somam a ela, que segue como a base sobre a qual o restante do tratamento é construído. É o que os médicos chamam de terapia combinada, cada vez mais central na diretriz de 2026. Continua após a publicidade Pontos de atenção Do ponto de vista prático, dois cuidados merecem atenção de quem usa o remédio há anos. O primeiro é a função renal: a dose de metformina precisa ser reduzida pela metade quando a filtração dos rins cai a determinados níveis, e o remédio deve ser suspenso se a queda for mais acentuada, pelo risco — raro, mas grave — de acidose láctica. O segundo é a vitamina B12: o uso prolongado da metformina pode reduzir sua absorção, e a diretriz recomenda dosá-la anualmente a partir do quarto ano de tratamento, repondo quando necessário. Dito isso, a nova diretriz nacional nos mostra que, em meio a tantos lançamentos, aplicativos e canetas semanais, o remédio mais simples e mais barato do consultório do endocrinologista continua indicado para quase todo perfil de paciente com diabetes tipo 2 — inclusive, e sobretudo, para aqueles que mais precisam de proteção cardiovascular. A novidade de 2026 não é a substituição da metformina, mas o que se adiciona a ela no tratamento: o comprimido ganhou parceiros mais potentes, sem perder o posto de titular do time. Publicidade Fonte: Veja

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