O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, defendeu em Bruxelas a necessidade de que o Parlamento Europeu aprove "uma resolução" na qual se sublinhe que sua cidade e Melilla "são as fronteiras da Espanha e da Europa" como resposta política a Marrocos pelo seu papel na crise migratória iniciada no passado dia 30 de julho, quando acessaram à cidade autônoma 80.000 pessoas provenientes do país vizinho.
"Acho que essa resposta deve ser por parte do Parlamento Europeu e acho que tem que ser uma resolução em virtude da qual se coloque de maneira clara que as fronteiras de Ceuta e Melilla são as fronteiras da Espanha e da Europa que as fronteiras devem ser respeitadas", assinalou o dirigente ceutí em declarações à imprensa desde a capital comunitária.
Durante sua visita institucional, Vivas se reuniu nesta terça-feira em Bruxelas com o comissário de Interior e Migração, Magnus Brunner; a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, e com a equipe do comissário de Defesa, Andrius Kubilius. Nesses encontros, ele reivindicou que a moção inclua também a rejeição a uma "linha de colaboração construtiva" com Marrocos se "as fronteiras não forem respeitadas".
O presidente também solicitou que a Eurocâmara reconheça "o muito que está contribuindo a cidadania de Ceuta e os servidores públicos de Ceuta", destacando que a cidade autônoma está demonstrando "nestes momentos de alta tensão" ser "um povo maduro, que não perde a calma nem com a alma em suspense", além de "um povo solidário" e "orgulhoso de ser da Espanha, da Europa e de sua convivência".
Nessa linha, ele ressaltou que Ceuta representa "um modelo de convivência entre pessoas de diferentes credos, de diferentes culturas, de diferentes origens que decidimos viver compartilhando, viver juntos e unidos em paz e harmonia. Isso acho que também faz parte dos pilares do acervo fundacional da União Europeia e isso está se manifestando em Ceuta".
"Se Ceuta naufraga, naufraga a Espanha e a Europa"
Questionado sobre as recentes manifestações da Comissão Europeia sobre Marrocos, que ele qualificou como "um parceiro confiável", Vivas explicou que nas reuniões desta terça-feira lhe foi dada a "oportunidade de expor" sua avaliação do que aconteceu na fronteira.
"Eu disse isso durante todos esses dias anteriores, eu disse novamente esta manhã e acredito que o objetivo prioritário para todos, o objetivo prioritário para todos é que Ceuta consiga voltar à normalidade. O objetivo prioritário para todos é que Ceuta saia da UTI", afirmou.
Ele insistiu que é "prioritário" a garantia plena da segurança em Ceuta, que "não se repita" uma situação semelhante e que a crise conclua "com uma luz de esperança para um futuro melhor do que tínhamos" até mesmo "antes de ocorrer a invasão".
"Eu pude me expressar com total clareza e pude qualificar as coisas como acredito que são e não vou me reprimir de fazer. Ceuta foi vítima de uma invasão e Ceuta está encontrando o respaldo e o apoio", ressaltou o presidente ceutiano.
Para concluir, ele sublinhou que o futuro da cidade autônoma afeta diretamente o conjunto do país e o projeto europeu. Em sua opinião, o rumo de Ceuta está no "interesse dos espanhóis" e "do resto da Europa". "Se Ceuta naufragar, coisa que não vai acontecer, mas se Ceuta naufragar, naufragará a Espanha e também naufragará a Europa. E isso estou convencido que nem os espanhóis nem os europeus vão permitir", sentenciou.
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