Com a independência de Portugal, o Brasil herdou o sistema do padroado. A Igreja Romana era a religião oficial e o Império controlava a fé, limitando os cultos de outras denominações. Com a República, o Brasil adotou o Estado laico. Segmentos religiosos que hoje ocupam espaço na política enxergam a laicidade como um empecilho que tenta calar a fé no espaço público, enquanto outros defendem o conceito como garantia para a própria sobrevivência e liberdade de culto.
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A separação entre Igreja e Estado vem do próprio Senhor Jesus na famosa frase 'Deem a César o que é de César e deem a Deus o que é de Deus'. Ao ser questionado sobre o pagamento de impostos, o Salvador colocou uma linha divisória entre política e religião. Ao imperador pertence a moeda, isto é, o governo humano tem o poder para cobrar impostos e manter a ordem pública – aquilo que Paulo diz no capítulo 13 de Romanos. A nossa consciência, por outro lado, está sob o juízo de Deus. Ela carrega a imagem do
Criador, assim como a moeda na mão de Jesus carregava a de César. A fé, a adoração, as convicções espirituais pertencem exclusivamente aos céus. A política não tem o direito de impor questões espirituais e a religião não deve usar o poder civil para coagir a fé, muito menos utilizar instrumentos políticos para alcançar poder.
Lutero lembrou que a tarefa da igreja 'não é outra coisa que pregar a palavra de Deus e com ela conduzir os cristãos e vencer a heresia'. A política é uma instituição humana que 'não pode estender-se ao céu e sobre a alma, mas somente sobre a terra, o convívio externo dos seres humanos'. Fora disto é dependência e morte.
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