Desconhecia o vídeo que rola na internet, em que Henry Mancini, um dos grandes maestros da música contemporânea, se revela fã, na tevê, de uma canção do extenso catálogo dos Beatles. Uma entre tantas, Mancini, autor da trilha musical de Pantera Cor de Rosa só pra refrescar as memórias, frente a frente com um dos autores da dupla Lennon e McCartney, executa ao piano sua versão de If I fell. Uma sensibilidade à toda prova, o maestro contribuiu em 1965, dando toques especiais à canção.
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Sabe aquela notinha diferente que muda a melodia sem ferir a versão original? Pois é: justamente isso que alguém de talento renomado faz quando mexe na obra de outro alguém de ainda maior renome. Tem que respeitar a obra, mas pode dar suas próprias tintas à coisa. Entretanto, comete uma ou duas chatices que se vivo estivesse hoje, não faria igual. O bom senso e a modernidade não permitiriam.
Lembrei de outra pessoa que tinha uma verdadeira obsessão por essa partitura. Meu guitarra-solo na quase secreta banda que tivemos na segunda metade dos anos 1960: Felipe Presser, conhecido como Puia, chegava a encher o saco dos outros componentes, do baterista ao guitarra-base, pois pedia insistentemente que fizéssemos, repetidamente, If I fell. Não somente pela bela melodia, mas a letra contém uma história de absoluto romance que, eu suponho, ele estivesse vivendo na época.
Acabou sendo uma das nossas mais exatas canções, de tanto que a repetimos. Quem ouvia tudo por osmose era a família Dillenburg, sem liberdade de escolha.
Em dueto improvisado, há uns dez anos, encantamos o ouvinte solitário Carlos Ludwig Fink.
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