O que começou como uma busca por acolhimento e respostas nas madrugadas silenciosas da maternidade de primeira viagem se transformou em uma rede de afeto que já dura uma década.
Aniversário de 10 anos reuniu pais e crianças que são amigas desde o berço. (Foto: André Salles)
Em Campo Grande, um grupo com mais de 20 mães se reuniu para celebrar uma marca muito especial: os 10 anos de vida de seus filhos, nascidos entre novembro de 2015 e março de 2016. O reencontro coletivo não apenas comemorou o aniversário das crianças, mas também celebrou a resistência de uma amizade que nasceu junto com eles.
A história desse grupo de mulheres começou quando elas criaram um canal de comunicação para compartilhar as dúvidas, anseios e descobertas da gestação, já que para muitas, eram mães de primeira viagem. No início, o grupo servia como um porto seguro nas horas mais difíceis: as madrugadas em claro.
'Mamadrugada' e a rede de apoio
Carolina, mãe de Arthur, explica que os assuntos iam desde soluções para cólicas até o choro inconsolável dos bebês.
'A gente pôde trocar experiências de madrugada, quando ficava todo mundo acordado. Então era assim, a cólica, que que a gente faz nas cólicas? É, a criança tá chorando demais, o que? Então uma e dava as dicas para outras experiências até hoje. A gente agora ainda tira dúvidas, agora faz de pré-adolescência. E então a gente continua com essa rede de apoio. Lógico que agora as conversas não são mais tão intensas, mas sempre estamos ali nos apoiando e virou um grupo assim de daquela amizade feminina que é importante'. Carolina Lemos, administradora de empresas
Essa união foi fundamental também para enfrentar as diferentes fases da vida. Após o nascimento de Lorenzo, a família de Ely cresceu com a chegada da pequena Júlia, o aprendizado acumulado com o primeiro filho e o suporte das amigas foram cruciais para essa jornada.
'Dez anos passaram muito rápido e durante esse esse tempo nós podemos desenvolver uma amizade, compartilhar muitas coisas que a maternidade nos trouxe. Então, aquele grupo que nós formamos trouxe para nós um porto seguro para compartilhar experiências, para compartilhar felicidades e também situações que não eram tão felizes, né, que em 10 anos aconteceram muitas coisas'. Ely Zalla, psicóloga
Do primeiro aninho aos 10 anos: amizade que passa de mãe para filho
Essa não é a primeira vez que essa grande família celebra unida, pois quando as crianças completaram um ano de vida, uma grande festa coletiva reuniu 35 aniversariantes para assoprar a primeira velinha.
Desde então, embora a rotina e o tempo tenham tornado as reuniões físicas menos frequentes, inclusive com mães que se mudaram da Capital, como a mãe do Heitor, que partiu de Campo Grande quando o filho tinha 3 anos, o vínculo nunca se rompeu.
A união das mães acabou moldando também a relação entre os filhos, e o reencontro de 10 anos foi a oportunidade perfeita para colocar o papo e as brincadeiras em dia.
Para algumas das crianças, o contato físico havia se perdido na memória dos primeiros anos, restando apenas lembranças em fotos e vídeos, como Arthur e Pedro Henrique.
'Eu nem lembrava dele só por fotos e vídeos quando era criança'. Arthur Moreira, 10 anos
'Estamos colocando a amizade em dia. É muito bom se ver agora, já que a gente não se vê todo dia'. Pedro Henrique Leite, 10 anos
Enzo, outro aniversariante do grupo, não escondeu a ansiedade para reencontrar a turma. 'Estava com muita saudade. A gente brincou, jogou futebol', contou.
Os 15 anos já estão nos planos
Embora algumas das crianças hoje estudem juntas, para a maioria o encontro é ocasional, o que torna celebrações como esta ainda mais valiosas. 'Sempre nos encontrávamos de vez em quando, e agora proporcionamos esse momento de reencontro. São 10 anos de troca de informações entre as mães e também entre eles', destaca Priscilla Cristiane Bigetti, uma das mães.
A semente plantada há uma década gerou frutos que as organizadoras já fazem planos para o futuro. Se no primeiro ano foram 35 bebês e agora mais de 20 pré-adolescentes celebraram juntos, o grupo já mira o próximo grande marco.
'Estamos pensando no que vai ser compatível com a idade deles e o que vão gostar na época, porque aí já não serão mais crianças, né?'. Lidiane Maria de Oliveira Capriata, bancária
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