A Letónia proibiu a importação de livros, jornais e outros materiais impressos da Rússia e da Bielorrússia, em nome do combate "à desinformação e à propaganda de guerra", indicou esta segunda-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
"A proibição de importação destina-se a proteger os interesses de segurança da Letónia e reduzir ainda mais as relações económicas com a Rússia e a Bielorrússia, que continuam a travar e a apoiar a guerra de agressão contra a Ucrânia", afirmou o ministério.
A Letónia, membro da NATO e da União Europeia, possui uma grande minoria russófona, pertencendo cerca de um quarto da população à etnia russa.
Aliado da Ucrânia, o país enfrenta aquilo a que chama "ataques híbridos" de Moscovo desde o início da invasão russa em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Fazendo fronteira com a Rússia e a Bielorrússia, num contexto de ciberataques, incursões de drones e desinformação, a Letónia, antiga república soviética, investiu fortemente na sua segurança nos últimos anos, convencida de que poderia ser um dos próximos alvos de Moscovo.
A proibição, entrada em vigor a 01 de setembro, aplica-se também a outros bens de consumo, entre os quais vestuário, brinquedos e artigos desportivos, mesmo os de origem russa ou bielorrussa que cheguem ao território letão via países terceiros.
Segundo o Governo letão, esta medida visa "reforçar a resistência da sociedade e reduzir as vulnerabilidades no espaço informativo".
As importações da Letónia procedentes da Rússia e da Bielorrússia diminuíram drasticamente desde o início da guerra na Ucrânia, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que aponta uma queda de 91% no valor total das importações entre 2022 e 2025, de 2,13 mil milhões de euros para 193 milhões de euros.
No entanto, os livros e materiais impressos "constituíam ainda uma das categorias mais significativas de bens de consumo importados da Rússia", acrescentou.
Riga tinha anteriormente eliminado a taxa reduzida de IVA de que beneficiavam os livros e publicações em língua russa no seu território e está a trabalhar para reduzir o uso da língua russa na educação, invocando novamente a necessidade de combater a ingerência de Moscovo, mas também de integrar melhor os falantes de russo.
Em maio, a Rússia anunciou à comunicação social local que pretendia processar a Letónia e os seus vizinhos bálticos, a Lituânia e a Estónia, no Tribunal Internacional de Justiça por alegadas violações dos direitos dos falantes de russo.
Os três países contestaram tais alegações, acusando Moscovo de utilizar a minoria étnica russa para instigar tensões.
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