Mais de 100 mil pessoas assinaram uma denúncia que pede à Fifa uma investigação contra Gianni Infantino, presidente da entidade, por supostas violações ao código de ética relacionadas aos seus vínculos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (8) pela organização de direitos humanos FairSquare. A denúncia também conta com o apoio da campanha Reboot Fifa e foi encaminhada ao Comitê de Ética da entidade.
Segundo a organização, Infantino teria cometido possíveis violações envolvendo abuso de poder, falta de neutralidade política e descumprimento de deveres de lealdade. As acusações estão relacionadas principalmente à aproximação do dirigente com Trump.
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Denúncia cita relação entre Infantino e Trump
Entre os episódios mencionados pela FairSquare está a relação mantida entre Gianni Infantino e Donald Trump durante a Copa do Mundo.
Durante a competição, Trump teria pedido ao presidente da Fifa que revisasse o cartão vermelho recebido pelo atacante norte-americano Folarin Balogun, que posteriormente foi suspenso.
A organização também questiona a atuação de Infantino em outras decisões envolvendo a entidade. Um dos pontos citados é o projeto Fifa Forward Enterprise, que previa a participação de investidores de private equity em eventos da Fifa.
A proposta provocou reações negativas e acabou sendo abandonada.
Para Nicholas McGeehan, diretor da FairSquare, as novas acusações representam uma continuidade da denúncia apresentada anteriormente contra Infantino.
'Agora temos essa preocupação pública e política', afirmou McGeehan à Reuters, segundo o material divulgado pela organização.
Comitê de Ética ainda não apresentou atualização
A FairSquare afirma que a primeira denúncia foi recebida pelo Comitê de Ética da Fifa em 12 de dezembro de 2025. Desde então, segundo a organização, não houve uma atualização sobre o andamento do caso.
O novo documento reúne oito episódios que, na avaliação da entidade de direitos humanos, podem representar violações às regras de ética e governança da Fifa.
Entre as acusações está a suposta violação da neutralidade política da entidade por meio de manifestações públicas de apoio ao slogan e à agenda política de Trump.
Infantino também é acusado de ter criado o Prêmio da Paz da Fifa sem a aprovação ou participação do Conselho da entidade e, posteriormente, entregado a honraria a Trump.
Outro ponto questionado envolve o desenvolvimento do Fifa Forward Enterprise, que, segundo a FairSquare, teria sido conduzido de maneira secreta e sem seguir os processos de governança da organização.
FairSquare pede suspensão de Infantino
A organização afirma que pretende que Gianni Infantino seja suspenso das atividades relacionadas ao futebol por dois anos.
De acordo com McGeehan, porém, a iniciativa não tem como único objetivo uma punição ao dirigente. A FairSquare também questiona a capacidade da Fifa de fiscalizar e responsabilizar seus próprios dirigentes.
Infantino busca atualmente a reeleição para um quarto mandato como presidente da Fifa, prevista para março. Até o momento, segundo as informações apresentadas na denúncia, não surgiu um adversário considerado competitivo para disputar o cargo.
No mês passado, a FairSquare também pediu que a entidade declarasse Infantino inelegível para uma nova candidatura. A organização argumenta que o dirigente já teria atingido o limite de três mandatos previsto pelo estatuto da Fifa.
Entenda a discussão sobre os mandatos
Gianni Infantino foi eleito presidente da Fifa pela primeira vez em 2016. Em 2022, conseguiu que seu primeiro período à frente da entidade não fosse contabilizado no limite de três mandatos.
O argumento apresentado na ocasião foi de que aquele período correspondia à conclusão de um mandato que havia sido iniciado antes de sua chegada ao cargo, após a renúncia de Sepp Blatter.
Com isso, Infantino mantém a possibilidade de buscar um quarto mandato, enquanto enfrenta novas críticas e uma denúncia que pede uma investigação do Comitê de Ética da Fifa.
Até o momento, a Reuters procurou a Fifa para obter um posicionamento sobre as acusações apresentadas pela FairSquare.
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