Quatro em cada 10 crianças com obesidade deixaram de cumprir os critérios clínicos de obesidade após 68 semanas de tratamento com semaglutida, segundo os primeiros resultados do ensaio STEP Young, divulgado pela Novo Nordisk. O estudo envolveu 165 crianças entre os 6 e os 11 anos e comparou o medicamento com placebo, sempre associado a alterações no estilo de vida.
O resultado representa um dos primeiros dados de fase 3 sobre a utilização de semaglutida em crianças mais novas com obesidade. De acordo com a farmacêutica dinamarquesa, 40,4% das crianças tratadas com semaglutida deixaram de ser classificadas como tendo obesidade ao fim das 68 semanas, contra 0% no grupo que recebeu placebo.
É, contudo, importante perceber exatamente o que foi testado. O ensaio não comparou simplesmente crianças que tomaram o medicamento com outras que não fizeram qualquer intervenção: ambos os grupos receberam aconselhamento para reduzir a ingestão calórica e aumentar a atividade física. A diferença principal foi a administração semanal de semaglutida ou de placebo.
Como funcionou o ensaio da Novo Nordisk
O STEP Young foi um ensaio clínico de fase 3, aleatorizado, duplamente cego e controlado por placebo. Participaram 165 crianças com obesidade, entre os 6 e os 12 anos incompletos, num estudo multinacional conduzido pela Novo Nordisk.
As crianças receberam uma injeção subcutânea semanal de semaglutida ou placebo, além de uma dieta com redução de calorias e recomendações para aumentar a atividade física. A dose máxima de semaglutida foi de 1,7 ou 2,4 miligramas, dependendo do peso da criança no início do estudo.
O objetivo principal não era simplesmente verificar quantos quilos cada criança perdia. Os investigadores avaliaram a variação percentual do índice de massa corporal (IMC) entre o início do estudo e a semana 68. Uma das principais medidas secundárias foi verificar se as crianças passavam para uma categoria de IMC abaixo do limiar de obesidade.
Esta distinção é particularmente importante em crianças. Ao contrário dos adultos, em que o IMC é analisado através de valores fixos, a classificação pediátrica tem em conta a idade e o sexo. Neste estudo, foi utilizada a referência dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), sendo considerada obesidade uma situação em que o IMC corresponde ou ultrapassa o percentil 95 para a idade e o sexo.
(0)Comments