O Brasil manteve a estabilidade nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), principal exame de aprendizagem da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os dados divulgados nesta terça-feira (8) indicam que o País reduziu a distância para nações ricas, que enfrentam uma crise inédita de aprendizagem.
O teste avaliou 30.140 estudantes de 1.053 escolas brasileiras em Ciências, Matemática, Leitura e Resolução de Problemas por Ferramentas Computacionais. O Brasil foi classificado com baixo desempenho em três das quatro áreas. Em Leitura, o patamar foi definido como abaixo da média, posição superior às demais disciplinas, mas ainda inferior à média da OCDE.
Em Matemática, a pior área do País, os alunos registraram 377 pontos, mesma pontuação de 10 anos atrás. Apenas 28% dos estudantes atingiram o nível 2 de proficiência, capacidade de interpretar situações matemáticas simples sem instruções diretas. Na OCDE, esse índice é de 65%. O Brasil ocupa a 71° posição no ranking global da disciplina.
O desempenho em Ciências foi a área de maior avanço na última década, com 409 pontos em 2025 contra 401 em 2015. O País ocupa o 67° lugar, ficando atrás de vizinhos como Uruguai (42°), Chile (43°) e Colômbia (63°). Na nova categoria de Ferramentas Computacionais, o Brasil ficou em 69° lugar, com 406 pontos.
Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE, citou o Brasil como exemplo positivo de promoção de equidade e avanço nos resultados ao longo de 20 anos. A diferença entre as notas brasileiras e as da OCDE caiu em Leitura, de 102 pontos em 2006 para 58 pontos em 2025, e em Matemática, de 131 para 92 pontos no mesmo período.
O relatório aponta que o recuo global de desempenho reflete a perda de concentração dos jovens devido ao excesso de telas e à inteligência artificial. Nações como Dinamarca, Noruega, Espanha e Suécia recuaram mais de 20 pontos em Leitura, o equivalente a um ano de aprendizagem. O Ministério da Educação (MEC) afirmou que o sistema brasileiro mostrou maior estabilidade e recuperação após a pandemia do que a média da OCDE.
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