Percentual de empresas que fecharam o mês no verde chegou a 51%, ante 42% da média do país; avanço nas vendas contribui para o bom cenário
O percentual de bares e restaurantes da região de Campinas que registraram lucro chegou a 51% em julho, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O resultado superar a mídia nacional que foi de 42% é o melhor desde dezembro de 2025, quando o índice alcançou 47%.
No mesmo período, 23% dos estabelecimentos registraram prejuízo (ante 20% nacional e 26% ficaram em equilíbrio, contra 37% do Brasil. O resultado positivo acompanha a evolução do faturamento: para 55% dos negócios, as receitas de julho foram maiores do que as registradas no mês anterior (o índice nacional foi de 46%). Outros 24 mantiveram o nível (25% foi a média do País), enquanto 19% tiveram faturamento menor, índice inferior a média nacional, de 28%.
O desempenho também está alinhado aos dados do Índice Abrasel-Stone, que registrou crescimento de 5,6% nas vendas do setor entre junho e julho. Na comparação anual, o avanço foi de 12,1%, marcando o décimo mês consecutivo de alta.
Preços avançam, mas empresários evitam perder clientes
A melhora da atividade ocorre em meio a uma política de preços ainda marcada pela cautela. De acordo com a pesquisa da Abrasel, 49% dos estabelecimentos da região de Campinas, que também compreende a região de Araras, fizeram reajustes conforme ou abaixo da inflação. Outros 13% conseguiram elevar os preços acima da inflação, enquanto 38% afirmaram não estar conseguindo reajustar os valores.
O movimento mostra que os empresários vêm buscando recompor parte dos custos, mas sem transferir toda a pressão para o consumidor. Em um setor diretamente dependente da frequência dos clientes, aumentos mais elevados podem comprometer o próprio movimento que sustenta a recuperação.
Contas em atraso ainda pesam sobre o setor
A melhora dos indicadores de atividade ainda não se traduz em folga financeira para todos os negócios. 25% dos estabelecimentos pesquisados na região de Campinas afirmaram ter pagamentos em atraso em julho, índice melhor que a média nacional, que foi de 37%. Entre os principais débitos estão os impostos federais (69%), os impostos estaduais (62%).
Para o presidente da Abrasel RMC, André Mandetta, a melhora na lucratividade é especialmente relevante porque ocorre em um cenário no qual os empresários ainda precisam administrar com cuidado a relação entre custos, preços e consumo. 'Os resultados das regionais de Campinas e Araras em julho foram positivos e mostram uma resiliência do setor ao atual momento', diz Mandetta. 'Mas o cenário econômico, com apontamentos de queda do poder aquisitivo por parte dos consumidores e jutos altos requer cuidado nos negócios', acrescenta.
'O lucro é o que dá ao empresário condições de olhar para o negócio além do mês seguinte. Quando ele consegue vender mais e ainda preservar uma margem, volta a existir espaço para pagar dívidas, renovar equipamentos, contratar e investir. Julho mostra que estamos avançando nessa direção, mas ainda há uma parcela importante das empresas que continua sem conseguir repassar todos os seus custos e ainda carrega contas em atraso', afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel nacional.
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