A chegada de um bebé é, habitualmente, associada a alegria e realização do casal. Mas, para algumas famílias, este período pode ser também acompanhado por sentimentos de tristeza profunda, ansiedade, culpa, exaustão e incapacidade de lidar com as novas responsabilidades. A depressão pós-parto é uma doença real e tratável que pode afetar não só a saúde da mãe, mas também a do pai e de toda a família. A depressão no período após o nascimento não corresponde ao chamado baby blues, uma alteração emocional relativamente frequente nos primeiros dias depois do parto, caracterizada por choro fácil, irritabilidade e mudanças de humor, uma vez que, esta situação tende a ser passageira. Já a depressão pós-parto é mais intensa, persistente e interfere no funcionamento diário e na capacidade de desfrutar da vida e de estabelecer uma relação mais tranquila com o bebé. Pode até surgir um pouco antes do parto e /ou durante todo o primeiro ano após o parto. Contudo, é mais frequente surgir até 4 meses após o parto. Não é conhecida a prevalência exata da depressão pós-parto em Portugal, no entanto, estudos realizados no nosso país encontraram valores de sintomas depressivos no período pós-parto que afetam cerca de 17% das mulheres. No que respeita aos homens, os estudos indicam que possa afetar cerca de 8 a 9% dos homens que se tornaram pais. A depressão pós-parto pode manifestar-se de diferentes formas. Entre os sinais mais frequentes encontram-se a tristeza persistente, perda de interesse ou prazer nas atividades, falta de energia, alterações do padrão de sono e do apetite, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa ou de inutilidade e uma sensação constante de incapacidade. Algumas mulheres podem sentir que não conseguem cuidar adequadamente do bebé, que não são 'boas mães' ou que não sentem pelo filho aquilo que esperavam sentir. Também podem surgir ansiedade intensa, irritabilidade, isolamento e preocupação excessiva com a saúde do bebé. Sintomas como irritabilidade, raiva, isolamento, perda de interesse, alterações do padrão de sono, ansiedade, excesso de trabalho, consumo aumentado de álcool ou outras formas de comportamento de risco estão, mais frequentemente, associadas à depressão pós-parto dos pais. Quando estes sintomas persistem, particularmente durante duas ou mais semanas, ou interferem significativamente com a vida diária, é importante procurar ajuda. Pensamentos de morte, suicídio, de magoar o bebé ou perda de contacto com a realidade exigem ajuda médica urgente. Nestes casos, não se deve deixar a pessoa sozinha e deve ser procurada assistência emergente. O diagnóstico é, essencialmente, clínico e deve ser realizado por um Profissional de Saúde, nomeadamente, o seu Médico de Família. Saiba que, a depressão pós-parto tem tratamento e, quanto mais cedo for identificada, mais rapidamente pode ser iniciada a intervenção adequada. Dependendo da gravidade dos sintomas e das características de cada pessoa, o tratamento pode incluir psicoterapia, apoio psicológico, medicação antidepressiva ou uma combinação destas abordagens. A escolha deve ser individualizada e acompanhada clinicamente. O apoio da família e das pessoas próximas também é fundamental. Ajudar nas tarefas domésticas, permitir que a mãe descanse, ouvir sem julgar e incentivar a procura de ajuda podem fazer uma diferença importante. A depressão pós-parto não é falta de amor pelo bebé, não é fraqueza e não é culpa dos pais. É uma doença que pode acontecer numa fase de enormes mudanças físicas, emocionais e sociais. Reconhecer os sinais, falar sobre o problema e procurar ajuda são passos fundamentais para que o nascimento de uma criança possa ser vivido com maior segurança, saúde e apoio por toda a família.
Lembre-se, Cuide de Si! Cuide da Sua Saúde!
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