A região da Patagônia, no extremo sul da Argentina, tornou-se alvo de investidores globais para a instalação de megacentros de dados. O interesse é impulsionado pelas baixas temperaturas, que reduzem custos de refrigeração, pela disponibilidade de terras desocupadas e pelo acesso a fontes de energia renovável e gás de xisto.
Na província de Neuquén, a Pampa Energia promove a criação de um data center próximo à usina termelétrica Loma de la Lata. O projeto consumiria até 500 megawatts de energia provenientes de Vaca Muerta, uma das maiores formações de gás de xisto do mundo, informou Ruben Turienzo, diretor comercial de eletricidade da empresa. A infraestrutura elétrica para essa capacidade teria custo de quase US$ 900 milhões.
A OpenAI anunciou em outubro do ano passado uma parceria com a Sur Energy para construir um centro de dados movido a energia limpa. O investimento chegaria a US$ 25 bilhões, com capacidade de 500 MW. Paralelamente, a polonesa Green Capital planeja na província de Chubut uma instalação inicial de 300 MW, com custo de US$ 3 bilhões, que poderia expandir para 3.000 MW no futuro.
O cenário é favorecido por reformas econômicas do governo de Javier Milei, que assumiu em dezembro de 2023. O regime de incentivos RIGI oferece benefícios fiscais e estabilidade regulatória para atrair capital estrangeiro. A agência de comunicações da Argentina também pretende criar uma segunda estação de aterramento de cabos de fibra óptica para aumentar a conectividade da Patagônia.
A região de Neuquén busca estabelecer um ecossistema de data centers para dissipar riscos e preconceitos, segundo Ruben Etcheverry, secretário do conselho de desenvolvimento da província. Entre as interessadas está a norte-americana FlexDomes, com um projeto inicial de 120 MW estimado em US$ 1,4 bilhão. Na província de Buenos Aires, a cidade de Bahía Blanca também projeta a construção de um parque de TI com acordos previstos até o final de 2026.
Diferente dos Estados Unidos, a Argentina não registra reações negativas da população contra esses parques de servidores. No entanto, a região de Neuquén possui histórico de conflitos entre famílias indígenas mapuches e empresas do setor energético. Alguns investidores aguardam a eleição presidencial de 2027 e a implementação do Super RIGI, estrutura legislativa que prevê reduções fiscais ainda mais amplas.
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