Motoristas e proprietários de veículos que atuaram em obras de pavimentação e sinalização viária em Vitória da Conquista enfrentam um impasse financeiro que já dura quase cinco meses.
O grupo foi contratado pela 'Liga Engenharia' — integrante do Consórcio Vitória da Conquista, vencedor da licitação da gestão da prefeita Sheila Lemos (União Brasil) —, mas relata não ter recebido pelos serviços prestados, mesmo após a conclusão das intervenções.
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O projeto contava com aporte de R$ 160 milhões provenientes do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa 3), operado pela Caixa Econômica Federal. As obras, iniciadas em março do ano passado, foram totalmente finalizadas, mas a verba não chegou à ponta da cadeia de trabalho.
Falta de pagamento
A falta de pagamento tem sufocado pequenos empresários do setor de transporte. Sob condição de anonimato, o dono de uma frota de veículos relatou a dificuldade para honrar o salário dos condutores que contratou devido ao calote.
"Já teve ocasião que eles pagaram com um cheque pré-datado e o cheque voltou sem fundo. A situação tá tão difícil que eu tô comprando as coisas, não tô pagando aos motoristas porque não tô recebendo também", desabafou.
Reincidência
O cenário de inadimplência reflete uma crise recorrente na infraestrutura do município. Em março de 2025, caçambeiros, caminhoneiros, motoristas de vans e operadores de máquinas já haviam tornado pública uma denúncia idêntica sobre a paralisação dos haveres.
Na oportunidade, a 'Liga Engenharia' justificou os atrasos alegando que a Prefeitura de Vitória da Conquista não estava efetuando o repasse das medições da obra.
Um ano após o primeiro alerta, a justificativa apresentada aos trabalhadores permanece a mesma, enquanto o endividamento dos prestadores de serviço segue acumulando.
Corte na Saúde
A aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026 em Vitória da Conquista, sudoeste baiano, acionou um grave sinal de alerta na rede pública de saúde do município.
Desenvolvido pela gestão da prefeita Sheila Lemos (União Brasil) e chancelado pela maioria dos parlamentares na Câmara Municipal, o novo plano orçamentário promoveu um corte severo de R$ 72 milhões na pasta da Saúde, como parte de um contingenciamento global que supera R$ 130 milhões nos cofres municipais.
A decisão gera intensa oposição política e popular. Em pronunciamento na Casa Legislativa, a vereadora Viviane Sampaio (PT) criticou os efeitos diretos das reduções sobre a assistência básica prestada aos cidadãos e colocou em xeque a capacidade de gestão da atual administração pública:
"Nós temos uma saúde que carece de competência administrativa. Até material de escritório está faltando nas unidades. Até a coleta de laboratório na zona rural foi suspensa por falta de material", denunciou a parlamentar.
Os principais desdobramentos negativos apontados envolvem:
falta frequente de insumos operacionais e medicamentos fundamentais na rede.
paralisação e retração no agendamento de consultas especializadas, procedimentos cirúrgicos eletivos e exames de diagnóstico.
dificuldade na contratação de novos serviços hospitalares e travamento na chamada de agentes comunitários de saúde e de combate a endemias.
Insatisfação popular
Nas ruas, a população manifesta indignação com as carências no atendimento prestado pelo município e contesta a escala de prioridades na aplicação das verbas públicas. Moradores destacam a discrepância entre a escassez de recursos na área da saúde e os investimentos destinados ao calendário festivo da cidade.
"A festa de São João foi realizada, mesmo com a cidade já pedindo socorro. Festa vale mais que a saúde? Não é isso que Conquista precisa e sim de saúde de qualidade, pois só quem precisa sabe", declarou um morador ao jornal A TARDE, sob condição de anonimato.
Outro munícipe endossou as críticas em relação à arrecadação local: "A Saúde não está boa por conta da incompetência da prefeita, que cobra impostos e mais impostos. A cidade arrecada tanto e nunca tem dinheiro."
Sobre o atraso no pagamento dos terceirizados da infraestrutura urbana, a reportagem procurou a prefeitura de Vitória da Conquista, e aguarda resposta aos questionamentos.
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