Embora a capital paulista não tenha mar, o beach tennis virou presença constante em estacionamentos, rooftops e lajes de prédios corporativos. No Rio, a disputa por quadras na orla começa antes de o sol esquentar. O que parece apenas um hábito esportivo é, na verdade, um mercado em expansão acelerada, sem dono consolidado e com números que ainda não traduzem seu tamanho real para investidores.
Dados levantados pela Federação Paulista de Tênis, a partir do calendário da International Tennis Federation (ITF), mostram o protagonismo brasileiro: em 2025, o país sediou 180 torneios internacionais da modalidade. A Itália, reconhecida como berço do esporte, ficou atrás no ranking. O estado de São Paulo, sozinho, respondeu por 49 eventos internacionais, enquanto os Estados Unidos somaram 45.
Números tão expressivos em um esporte que cresceu longe de grupos organizados costumam atrair capital. No caso do beach tennis, a organização mercadológica ainda engatinha: as estimativas de praticantes são amplas; as séries históricas, escassas; e as projeções de crescimento, raras. Esse é o principal gargalo para que a modalidade saia da informalidade e entre no radar de investidores profissionais.
Brasil lidera o circuito internacional de beach tennis
A liderança brasileira no calendário da ITF não é um fato isolado. Ela se sustenta na combinação de cultura de praia, alta demanda por lazer e rápida ocupação de espaços urbanos ociosos. O beach tennis ganhou quadras em áreas nobres das grandes cidades e passou a atrair um público com poder de compra elevado, o que torna o esporte interessante para marcas e patrocinadores.
Esse ecossistema, porém, ainda não se converteu em uma liga comercial robusta. O padrão já foi visto em outras modalidades de areia. O futebol de areia, por exemplo, formou campeões mundiais no Brasil, mas jamais estruturou uma competição nacional duradoura. O futevôlei, apesar de dominar as praias, segue tentando encontrar um formato de negócio que permita escalar.
O vôlei de praia como espelho do que falta
O vôlei de praia é a exceção que ajudaria a orientar o beach tennis. A modalidade cresceu de forma orgânica, sem grandes aportes financeiros, até receber o patrocínio do Banco do Brasil em 1991. A criação do Circuito Nacional veio na sequência e, cinco anos depois, o país celebrou a medalha de ouro em Atlanta.
O caso mostra que a matéria-prima para um esporte de alto rendimento sempre existiu nas areias brasileiras. O que faltava era um desenho de competição com previsibilidade, capaz de atrair patrocinadores e manter atletas em atividade. No beach tennis, essa etapa ainda está aberta.
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