O que dizia aquele carrossel que eu li enquanto tomava café? Ou, pior, como chama o influenciador que eu adoro acompanhar? Se você está conectado online de alguma forma hoje em dia, provavelmente deve ter se habituado com a sensação de que há uma barreira cada vez maior entre o que consumimos digitalmente e o que de fato absorvemos. Nesta edição, queremos entender o que acontece com a nossa atenção e memória diante desse fluxo de conteúdo quase incessante e o que isso pode ensinar às marcas que precisam ser lembradas.
Se você usa meios digitais em geral, provavelmente se pergunta o que a internet está fazendo com a nossa capacidade de concentração e, consequentemente, com a nossa memória. Hoje, é difícil dizer qual foi a última tarefa que conseguimos concluir sem pausas para dar uma espiadinha no celular. A verdade é que, durante anos, usamos a tecnologia para nos auxiliar a lembrar daquilo que não considerávamos essenciais. Números de telefone, datas de aniversários, sobrenomes de colegas de trabalho, trajetos e por aí vai.A psicologia chama parte desse comportamento decognitive offloading, que descreve o ato de transferir para uma ferramenta externa uma tarefa que antes dependeria da nossa memória.Agora, porém, parece existir uma segunda camada nessa relação. Mesmo quando estamos diante da informação, quanto dela realmente fica?
A sensação de ter visto alguma coisa e, pouco tempo depois, não conseguir lembrar exatamente o quê ou onde, tem uma explicação que começa antes mesmo do esquecimento.Para uma informação se transformar em memória, primeiro precisamos conseguir prestar atenção nela.
Segundo especialistas,o primeiro passo seria codificar a informação. O que acontece hoje é que com o uso excessivo das redes sociais no dia a dia, vivemos emalternância entre estímulos e dispostos sob o hábito de consumir conteúdo enquanto realizamos outras tarefas, ou seja, sem atenção plena. Com isso, as experiências chegam à memória de maneira diferente.
Um post termina, outro começa. Um vídeo engraçado vem seguido de uma guerra, que vem seguido de skincare, que vem seguido de um amigo viajando (que nos causa uma inveja tremenda). As redes sociais pecam na continuidade de contexto.Existe um conceito clássico da psicologia cognitiva chamadospacing effect, segundo o qual distribuir exposições ou aprendizados ao longo do tempo tende, em vários contextos, a favorecer retenção em comparação com concentrá-los de uma vez.
Ao aplicar a ideia ao tal dobinge-watching, por exemplo, pesquisadores compararam pessoas que assistiram a uma série de uma vez, diariamente ou semanalmente. Quem maratonou apresentou boa memória logo depois de assistir, mas essas lembranças se deterioraram mais rapidamente ao longo do tempo do que entre participantes que assistiram em intervalos diários ou semanais.
Talvez seja por isso que uma série acompanhada durante três meses ocupe um espaço diferente na memória daquela temporada inteira que terminamos em um domingo.Entre um episódio e outro havia tempo para comentar, criar hipóteses, lembrar do que aconteceu e esperar pelo próximo, ou seja, havia tempo para contextualizá-la e de fato absorvê-la.Para chegarmos às marcas, vale um breve resumo de uma pesquisa da Adobe que investiga o que faz um anúncio permanecer na memória. Para responder, foram ouvidos 1.002 consumidores nos Estados Unidos sobre os anúncios que haviam visto recentemente, os formatos de que mais se lembravam e os elementos que contribuíam para obrand recall.
Humor, repetição, solução de problemas e timelines marcantestambém apareceram entre os elementos que facilitam a lembrança.
Sendo assim, se a memória se beneficia de muitos contatos com uma mesma informação, fica claro que a frequência deve ser parte estratégica dos planos das marcas.Mas repetir não significa publicar a mesma peça quatro vezes, e sim criar oportunidades para que uma mesma ideia seja reencontrada.Identidade visual reconhecível, mensagem que navega bem em diferentes formatos, e até um slogan que reaparece, são elementos para que cada novo contato recupere algo já visto antes.
>> Frequência com pitadas de criatividadeEm vez de simplesmente repetir peças, as marcas podem entender a frequência como presença consistente de marca: elementos reconhecíveis enquanto a mensagem circula por diferentes formatos e pontos de contato.
>> Uma história que continuaPara as marcas, campanhas podem funcionar como histórias que reaparecem e evoluem ao longo do tempo, recuperando códigos, personagens, mensagens e associações anteriores a cada novo contato.
>> Creators precisam ajudar a lembrar da marcaUsar uma celebridade ou personalidade conhecida por si só não garante maior atenção ou envolvimento com a marca. Pensar relações de influência nas quais produto, mensagem e creator façam parte da mesma história, construindo uma associação que perdure ao longo do tempo. Contratos e acordos mais duradouros são uma das estratégias.
>> Antes do formato, pense no emocionalO formato participa da equação, mas são os fatores emocionais e contextuais os essenciais na construção da memória. Peças que causam algum tipo de sentimento tendem a ficar na memória.
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Um case que tem tudo a ver com o tema de hoje!Aproveitando um contexto que já era conhecido e querido pelos seguidores da creator Sofia Santino e seus amigos, desenvolvemos um conteúdo estratégico que reuniu os personagens de Sexta-Feira 12 em um retorno épico para promover Pânico 7. Os fãs da criadora de conteúdo já haviam demonstrado interesse no retorno da sketch, inspirada na própria franquia. O conteúdo gerou conversa e engajamento entre diferentes públicos, alcançando 1,6 milhão de visualizações orgânicas nas redes sociais.
🧶Hobbies viraram o novo autocuidadoO relatório de tendências 2026 do Pinterest flagrou uma geração redescobrindo o prazer de fazer as coisas com as próprias mãos,como falamos nessa edição. Crochê, ervas caseiras e astrologia dispararam nas buscas, e metade da geração Z credita a alegria do dia a um hobby.
🐾Sem filho, com cachorro e malas prontasExiste um tipo novo de família viajando por aí, sem filhos, com cachorro, e disposta a gastar com isso. Hotel com kit de piquenique canino, cias aéreas privadas focadas em levar os pets para diferentes países, entre muitas outras regalias, podemos afirmar: os animais estão mexendo com o mercado de viagens.
🕊️A mensagem que demora de propósitoNuma época em que tudo acontece em segundos, criaram um app que devolve a espera. As mensagens viajam no ritmo de um pombo correio de verdade, dá pra acompanhar o voo num mapa e aceitar que em 0,2% das vezes ele se perde pelo caminho. Romantismo puro.
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