"O Governo não está a lucrar com esta crise dos combustíveis", assegurou a ministra do Ambiente e Energia, no dia em que os preços da gasolina e do gasóleo tiveram um dos maiores aumentos dos últimos anos e em que o secretário-geral do PS acusou o Governo de estar a ganhar com a situação.
Numa conferência de Imprensa em que elencou várias medidas aplicadas recentemente pelo Executivo no setor energético face a uma crise internacional, e em que anunciou o prolongamento do Programa Botija de Gás Solidária até ao final do ano, Maria da Graça Carvalho considerou "injustas" as declarações de José Luís Carneiro, que, hoje, em visita a um posto de combustível na cidade espanhola de Tui, reafirmou que o Governo já ganhou "mais de mil milhões de euros" com os aumentos dos preços da gasolina e do gasóleo. "Essa afirmação não corresponde à realidade. José Luís Carneiro está a referir-se aos impostos arrecadados em 2024 e 2025, tal como nós poderíamos falar dos impostos arrecadados pelo PS nos seus anos de governação", apontou a governante, notando que "é importante que nenhum agente político procure iludir os portugueses".
Começando a dar explicações ao país sobre uma crise que atingiu "o Mundo, a Europa e Portugal", a ministra do Ambiente e da Energia referiu-se a uma situação de enorme complexidade criada pelo conflito no Médio Oriente, com as tensões em torno do estreito de Ormuz, e agravada pelo encerramento de refinarias na Europa, uma delas em Portugal. "Hoje temos preços do petróleo acima do normal, o que coloca uma pressão muito elevada nos preços dos combustíveis e nos orçamentos das famílias", asseverou.
Em linha com a UE
Defendendo que "o Governo tem atuado desde a primeira hora em defesa dos consumidores de combustíveis", a governante afirmou que o preço dos combustíveis em Portugal está em linha com o resto da Europa e que "os aumentos recentes estão ligeiramente abaixo dos praticados na União Europeia", ressalvando a exceção de Espanha, que tem preços mais baixos do que Portugal e França.
Respondendo a quem tem sugerido o contrário, a ministra salientou que o Executivo de Montenegro tem tido uma "atitude proativa" durante esta crise energética e recordou medidas concretas para a proteção dos consumidores. Entre elas: o desconto extraordinário do ISP, num apoio superior a 700 milhões de euros; o regresso do apoio extraordinário no gasóleo agrícola (um desconto de dez cêntimos por litro, anunciado na semana passada pelo primeiro-ministro); e outras medidas adicionais, como o desconto de 25 euros no programa Botija de Gás Solidária, que vigorou até este mês e que será agora alargada até ao fim do ano. "Medidas que provam a injustiça da acusação de que estamos a receber proveitos da crise energética", insistiu a ministra.
O gasóleo aumentou, esta segunda-feira, cerca de 12 cêntimos por litro (PARA 2,15 euros) e a gasolina cerca de dez cêntimos (para 2,12 euros). Os valores tocam os preços mais altos de sempre em ambos os combustíveis: 2,15 euros, já atingidos em abril deste ano, no caso do gasóleo; e 2,18 euros alcançados em junho de 2022, na gasolina, quando se fizeram sentir os primeiros efeitos do fim da importação de crude refinado proveniente da Rússia, consequência do boicote a Moscovo devido à invasão da Ucrânia quatro meses antes.
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