A Crunchyroll está em busca de um novo executivo para liderar sua ofensiva contra a pirataria de anime em escala global. A plataforma de streaming publicou uma vaga para o cargo de Vice President, Content Protection & Anti-Piracy, com o objetivo de 'definir e liderar sua estratégia global' de proteção de conteúdo e a busca pelo candidato ideal está em andamento desde pelo menos julho.
De acordo com a descrição da vaga, o profissional contratado será responsável por estabelecer a 'visão de longo prazo, o modelo operacional, o roadmap tecnológico e as parcerias estratégicas que nos ajudem a nos manter à frente das ameaças em evolução, ao mesmo tempo em que apoiam o crescimento contínuo do nosso negócio'. Em outras palavras, trata-se de uma posição de alto impacto, que vai muito além de simplesmente reportar casos de pirataria.
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O que a Crunchyroll espera do novo VP
Entre os requisitos da vaga, a Crunchyroll exige experiência prática com ferramentas como o YouTube Content ID, o Meta Rights Manager e o Google Trusted Copyright Removal Program (TCRP). O executivo também deverá supervisionar iniciativas de enforcement com uso de inteligência artificial e construir relacionamentos com plataformas digitais, provedores de hospedagem, registradores, provedores de CDN, processadoras de pagamento e organizações da indústria.
O contexto justifica o investimento. Como uma das principais licenciadoras de anime fora da Ásia, a biblioteca da Crunchyroll figura entre as mais pirateadas do mundo e a plataforma claramente decidiu que é hora de estruturar uma frente dedicada para enfrentar o problema de forma estratégica e não apenas reativa.
O cenário global de combate à pirataria de anime
A movimentação da Crunchyroll acontece num momento em que a indústria do entretenimento japonês intensifica sua pressão contra a pirataria em múltiplas frentes. A CODA, principal organização antipirataria do Japão (composta por diversas empresas de anime e publicação) firmou recentemente um Memorandum of Understanding (MoU) com a IP House, organização global de proteção de direitos autorais. A CODA informou que colaborou com a IP House na chamada Operação Animes, uma ação de enforcement realizada no Brasil que resultou no fechamento de dezenas de sites piratas.
Um dos objetivos da IP House é viabilizar a aprovação de leis de bloqueio de sites estrangeiros, estratégia que tem gerado debate. Do lado positivo, titulares de direitos podem agir rapidamente por meio de ordens judiciais para bloquear o acesso a sites ilegais operando no exterior. No entanto, o compartilhamento de endereços IP é prática comum, e o resultado, na prática, pode ser danoso: na Europa, por exemplo, o acesso a diversos sites legítimos foi bloqueado como dano colateral.
Além disso, processos de bloqueio acelerado levantam questões sobre precisão, e provar que um site é operado do exterior é um terreno aberto a debates e a possíveis abusos. Atualmente, múltiplos projetos de lei de bloqueio de sites estão em tramitação nos Estados Unidos.
No Japão, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) publicou um plano de cinco anos para fortalecer as vendas anuais de conteúdo japonês no exterior, com meta de atingir 20 trilhões de ienes até 2033.
Entre as diversas ações previstas, o plano inclui o reforço das medidas antipirataria por meio de missões diplomáticas no exterior, desenvolvimento de recursos humanos e cooperação com agências de enforcement.
Fonte: Anime Corner
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