O funkeiro MC Hariel rebateu, em entrevista ao Podpah Records, as críticas de que o funk paulista seria um gênero 'neoliberal' ou 'alienado'. Segundo ele, atribuir esse tipo de rótulo a quem nunca teve acesso a conhecimento político é ignorar a realidade da periferia.
Hariel afirmou que grande parte dos jovens da periferia não sabe definir o que é direita, esquerda ou neoliberalismo. Apesar disso, diz ele, esse mesmo público é cobrado por discursos que não domina. Para o cantor, a crítica deveria ser direcionada ao Estado, que não oferece educação de qualidade, e não aos artistas que retratam o cotidiano das comunidades.
'Como que um moleque da periferia, que nunca teve acesso a livro, a estudo, vai saber o que é neoliberalismo? A gente só quer sair do buraco', disse.
O artista também rebateu a ideia de que o desejo de vencer na vida e consumir bens seria uma característica ideológica. Na avaliação dele, tratar ascensão social como algo negativo revela desconhecimento sobre a vida de quem passou fome.
'Falam que o funk é neoliberal só porque a gente quer ter carro, casa, dar coisa boa pra mãe. Mas isso é o que todo ser humano quer. Quem nunca passou fome não entende', afirmou.
As falas de MC Hariel reacenderam o debate sobre o papel político do funk, a relação entre cultura periférica e consciência de classe, e a distância entre o discurso de setores intelectualizados e a realidade vivida nas periferias.
'O problema não é o funk, é a falta de escola, de biblioteca, de oportunidade. Aí o moleque vira funkeiro, vence na vida, e ainda querem julgar ele', concluiu.
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