Em um passado distante, a Sony tentou duas vezes cravar um pezinho no gênero FPS, com as séries Resistance e Killzone , desenvolvidas respectivamente por Insomniac Games e Guerrilla Games. A segunda foi parte de um movimento coincidente da indústria em busca de novas experiências do gênero, fugindo do cenário da Segunda Guerra Mundial da franquia Medal of Honor .
Quando Steven Spielberg vendeu a marca MoH para a Electronic Arts em 2000, a então companhia aberta a explorou de várias formas, e alguns desdobramentos levaram ao surgimento de outras séries como Call of Duty e Battlefield , com a Bungie desenvolvendo Halo: Combat Evolved em paralelo; Killzone foi uma forma dos japoneses garantirem para si uma IP própria dentro do gênero, mas o tempo passou e ela caiu no esquecimento, com a Guerrilla se concentrando na série Horizon .
Para a surpresa de todos, Guerrilla Games inclusa, a Sony quer trazer Killzone de volta (Crédito: Divulgação/Guerrilla Games/Sony Interactive Entertainment)
Só que o tempo passou e o mercado mudou: a série Call of Duty hoje pertence í Microsoft, sua principal rival no mercado de consoles, e a EA, responsável pela franquia Battlefield , deixou de ser uma companhia aberta, sendo hoje controlada majoritariamente pelo controverso príncipe saudita Mohammed bin Salman. Isso posto, a Sony teria sentido a necessidade de marcar novamente presença no FPS com uma marca própria e, dessa forma, teria decidido trazer Killzone de volta do túmulo.
Sim, a Guerrilla disse no passado não ter a menor intenção de voltar í IP, mas sendo um estúdio interno, "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Killzone : Sony quer voltar ao FPS
Segundo o site MP1st , a Sony Interactive Entertainment (SIE) estaria nos estágios iniciais de desenvolvimento de um novo projeto envolvendo a franquia Killzone , que a essa altura pode ser qualquer coisa, desde uma remasterização a um remake de um título passado, ou um reboot completo da IP. A Guerrilla Games teria sido incumbida da tarefa, e o estúdio polonês independente People Can Fly ( Outriders ), já envolvido via contrato com outro projeto (cuidado, PDF), teria sido alocado como co-desenvolvedor para suporte.
A princípio, a notícia caiu como uma bomba entre os fãs da Guerrilla e da série Horizon , após o diretor de arte Roy Postma declarar em 2025 que a desenvolvedora havia basicamente "virado a página" da franquia de FPS, e que o foco de seus pares estava completamente voltado ao desenvolvimento do mundo pós-apocalíptico desbravado por Aloy, visando a possibilidade de mais games contando outras histórias.
Contudo, a primeira iniciativa da Guerrilla nesse sentido, o GaaS cooperativo Horizon Hunters Gathering , teve uma recepção tão negativa entre o público que a SIE teria apertado o botão de Reset; as reclamaçíµes iam desde o visual cartunesco e uma jogabilidade voltada a concorrer com a série Monster Hunter, levantando preocupaçíµes sobre encontrar uma audiência cativa (inúmeras marcas tentaram no passado, sem sucesso), até acusaçíµes de decisíµes de design "woke" ( sic ).
A maior reclamação, no entanto, envolve sua natureza de Jogo Como um Serviço, algo que boa parte do público hoje rejeita com força, e ainda mais vindo da Sony, após decisíµes como encerrar a produção de mídias físicas e o fechamento de desenvolvedoras como a Bluepoint Games e o Japan Studio, por não mais se encaixarem nos planos de Hermen Hulst, atual CEO da SIE, de dinheiro rápido e garantido.
Segundo fontes, a Guerrilla teria sido alocada pela SIE para cuidar de um novo Killzone tão logo encerre o desenvolvimento de Horizon Hunters Gathering , que tem até dez/2026 para impressionar a cúpula da Sony e deve ser lançado, se for, sem os elementos de GaaS; parte dos desenvolvedores do estúdio já teria sido deslocada pela Sony para "um novo projeto", enquanto um pequeno time estaria desenvolvendo uma sequência de Horizon: Forbidden West , que não deve sair tão cedo.
Parte do lineup de lançamento do PS4, Killzone Shadow Fall foi o último título da franquia (Crédito: Divulgação/Guerrilla Games/Sony Interactive Entertainment)
Há quem diga que Killzone não fosse a melhor opção de FPS que a Sony poderia explorar. Muitos defendem Resistance como tendo games mais diní¢micos e divertidos, mas sejamos realistas: mesmo com Marvel's Wolverine chegando ao PS5 em setembro de 2026, a Insomniac está comprometida com Marvel's Venom . Fontes garantem que o game continua em desenvolvimento; entregar seu FPS a outro estúdio não está em cogitação e, assim, a bomba sobrou para a Guerrilla.
Por mais que seus desenvolvedores não quisessem de jeito nenhum voltar aos conflitos entre a Aliança e o Império Helghan (basicamente uma WWII no espaço; os Helghast são essencialmente space nazis, a própria Guerrilla já confirmou isso mais de uma vez), a Sony está em uma situação não muito confortável para garantir um FPS de peso em seus sistemas.
De um lado, a Microsoft passa por um período turbulento de reestruturação, que inclui demissíµes em massa e um processo de reavaliação de seus lançamentos multiplataforma, que no futuro poderia restringir as franquias Halo e até mesmo Call of Duty a seus próprios sistemas, no caso, consoles Xbox e Microsoft/Xbox Store no Windows, barrando futuros lançamentos em lojas digitais no PC como o Steam.
Do outro, ninguém sabe qual será o futuro das franquias da EA, e há quem aposte na venda de estúdios como Maxis e BioWare, por seus games ( The Sims , Mass Effect , etc.) não se alinharem com os valores de seus controladores. Ainda que haja a promessa de não-interferência, todo mundo viu o quão bem isso funcionou com a SNK em Garou: City of the Wolves , com a inclusão de Cristiano Ronaldo, que joga no Al-Nassr (time que pertence a MBS), e Salvatore Ganecci, um quase-DJ pessoal da família real saudita.
Nesse sentido, investir em uma marca dormente e exclusiva, que poderá explorar como um GaaS bastante lucrativo (qual é, você espera mesmo algo diferente?) parece ser o passo mais lógico para a Sony, que a médio prazo poderá não mais depender de FPS de terceiros e, com sorte, terá nas mãos uma IP atraente o bastante para fazer o que o Xbox fez por anos com Halo: um FPS que vende consoles e que trará muito dinheiro, do jeito que Hulst gosta.
E se para isso for necessário impor í Guerrilla Games a criação de um novo título de uma IP í qual seus devs hoje não dão a mínima, que seja; quem não gostar, a porta da rua é serventia da casa.
Quanto aos fãs da série Horizon esperando por um novo game estrelado pela Aloy... é bom arrumarem um assento bem confortável.
Fonte: MP1st
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