O governador Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição em São Paulo pelo Republicanos, disse durante ato na Avenida Paulista, nesta segunda-feira (7), que as revelações recentes sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, exigem "resposta". Entretanto, ele adotou um tom mais ameno no 7 de Setembro deste ano em comparação com o mesmo evento do ano passado. Se em 2025 ele usou termos como "tirania" e "ditadura", ao se referir ao ministro, desta vez ele cobrou "resposta institucional" e disse que "ninguém está acima da lei".
– As últimas revelações sobre o Moraes, sobre o Supremo, precisam de resposta. Quando há dúvida acerca da conduta e o exercício da magistratura, uma resposta institucional precisa ser dada. Está na hora do tribunal se unir para dar apurar e dar a resposta que a sociedade precisa. A gente precisa relembrar de uma máxima: ninguém, absolutamente ninguém está acima da lei, ninguém está acima da Constituição. Banqueiro, senador, ministro nenhum está acima da Constituição. Governador e presidente nenhum estão acima da Constituição. Todos precisam se submeter à lei, doa a quem doer, cuate a quem custar. Deveria ter uma frase em cada gabinete em Brasília, o preço da grandeza é a responsabilidade. Se você quer ter grandeza, preste contas, não tenha medo, esclareça. Isso é fundamental neste momento – falou.
Ao lado de Flávio, Tarcísio disse que é preciso "eleger senadores comprometidos com o Brasil" e pediu votos para os candidatos em sua chapa em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). A disputa ao Senado no estado está acirrada e tem Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), candidatas da esquerda, numericamente a frente dos postulantes da direita, segundo as pesquisas recentes.
Fazendo coro com outros que discursaram antes, o governador disse que o Senado precisa "se impor" e "cumprir o seu papel", mas evitou falar em impeachment de ministros e fazer críticas mais duras a integrantes da Corte.
– São Paulo precisa fazer sua parte e não pode eleger senadores de esquerda, senadores comprometidos, de direita, porque o Senado precisa agir, o Senado precisa se impor. Se o Senado não fiscalizar e cumprir o seu papel, o nosso sistema de freios e contrapesos vai ruir, e vamos ver a mais covarde das ruínas, que é a ruína da omissão – disse.
Tarcísio também exaltou Flávio, dizendo que "Deus levanta homens", agradeceu a Jair Bolsonaro e criticou o presidente Lula (PT).
– Deus levantou o profeta Daniel, que não se curvou ao poder absoluto e foi atirado na cova dos leões. E nada aconteceu com ele porque Deus estava com ele. Em 2018, Deus levantou Jair Messias Bolsonaro para lutar contra o sistema. E agora Deus levanta Flávio Bolsonaro, seu herdeiro, para quele possa fazer a diferença, para que ele termine de construir o que seu pai começou. Ele sabe o que tem que fazer, ele está preparado para a missão. Vamos declarar a independência da corrupção, da desfaçatez, a independência do PT que nada acrescentou para nós, a independência de Lula e dessa corja – acrescentou. No ano anterior, tanto a forma quanto o conteúdo foram em tons bem acima do registado não apenas ontem, mas também no dia a dia do governador.
— Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como o Moraes, ninguém aguenta mais o que está acontecendo neste país. Será que a gente está vivendo um estado livre, democrático? Certamente não. É esse cenário que a gente tem que mudar. É por isso que a gente está aqui para dizer para o Hugo Motta, paute a anistia! Hugo, paute, paute a anistia! – disse Tarcísio, há um ano.
A mudança de tom do governador entre um ano e outro tem algumas explicações. Em 2025, ele era o principal nome da direita e do Centrão para concorrer nas eleições presidenciais deste ano, por isso achou que um discurso mais agressivo, bem visto dentro do bolsonarismo, poderia ser mais um facilitador para que seu nome fosse escolhido por Jair Bolsonaro para sucedê-lo. Mas a ideia não foi adiante. Três meses depois, o ex-presidente optou por colocar seu filho mais velho na corrida ao Palácio do Planalto.
Desde então, Tarcísio, que costuma dizer a aliados que "se arrepende" do discurso do ano passado, "virou a chave" para sua campanha à reeleição, estendendo seus planos para a presidência para daqui quatro anos. Enquanto isso, busca uma recondução relativamente tranquila ao Palácio dos Bandeirantes - ele aparece à frente de Fernando Haddad (PT) nas pesquisas e aposta em uma eleição no primeiro turno, segundo aliados.
Além de não precisar fazer acenos aos mais radicais por ora, Tarcísio também vê a campanha de Flávio Bolsonaro com algumas ressalvas. Desde antes do início da corrida eleitoral, o governador vem mantendo um "distanciamento estratégico" do senador, como forma de não se "contaminar" com questões que possam desgastá-lo, como a ligação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Como mostrou O GLOBO no sábado (5), nem o primeiro compromisso eleitoral em conjunto de ambos foi capaz de unir as campanhas de maneira mais "orgânica". Em São Carlos, no interior, em três eventos "vapt-vupt", os candidatos chegaram e saíram de forma separada, se uniram apenas para visitar rapidamente um espaço de tecnologia, conceder uma entrevista coletiva e depois participar de um comício no centro da cidade, além de pararem para um almoço oferecido pelo prefeito local. Entre idas e vidas, os três encontros duraram cerca de três horas, incluindo os deslocamentos.
Tarcísio também mantém um "distanciamento estratégico" do senador Flávio Bolsonaro por conta do chamado "voto Tarula", uma vez que pesquisas mostram que o governador atrai parte do eleitorado lulista no estado. Nas palavras de um aliado, Tarcísio vai manter uma espécie de 'namoro de fachada" com Flávio, optando por encontros fora da capital ou em locais de 'convertidos', como no 7 de Setembro da Avenida Paulista deste ano.
Enquanto Tarcísio mantém distância segura de Flávio, o mesmo não pode ser dito da postura do senador sobre o governador. Após sinalizar que poderia ser um "presidente de transição", em alusão à proposta de Flávio de criar um PL sobre o fim da reeleição, o filho de Jair Blsonaro foi questionado na sexta-feira (4), em São Carlos, se Tarcísio poderia sucedê-lo em um eventual mandato no Palácio do Planalto.
— Tarcísio é um dos grandes quadros que nós temos. Botou ferrovia para tudo que é lado e a gente não consegue nem dar entrevista (devido ao barulho de um trem que passava próximo dali). É uma pessoa que fez história como ministro da infraestrutura do presidente Bolsonaro, assim como tem vários outros quadros também. Nesse momento aqui o Tarcísio, se Deus quiser, vai ser reeleito no primeiro turno como governador de São Paulo — disse Flávio, sem querer se comprometer com planos para 2030.
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