O arquiteto e urbanista Fernão Simões de Carvalho morreu hoje aos 96 anos, anunciou a Fundação Marques da Silva, a quem o homem nascido em Luanda doou o acervo em 2021.
Na nota de 'grande pesar' da fundação sediada no Porto, pode ler-se que Simões de Carvalho estava 'a poucos dias de completar 97 anos de idade' e que dedicou a vida 'à arquitetura e ao planeamento, pautada por uma constante procura de liberdade conceptual e de sintonia com as correntes internacionais'.
Conhecido pelo estudo e trabalho relacionado com o betão e o brutalismo, assinou projetos como a moradia do Restelo, menção honrosa do Prémio Valmor em 1978, as novas instalações da Administração do Porto de Lisboa (1989), o Hotel Continental, em Lisboa, entre outros projetos.
Em maio deste ano, recebeu o Prémio Carreira da Secção Regional Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitetos, 'pela conceção de uma das maiores tentativas de urbanismo socialmente integrado feitas em África', por formar 'gerações de arquitetos portugueses' e 'por uma vida em que o desenho da cidade nunca foi separado das pessoas que nela iam viver'.
Foi professor na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e tem como obra 'icónica' a Casa-Atelier que leva o seu nome, em Queijas, Oeiras, e que, em 2025, foi proposta como monumento de interesse público pela Património Cultural.
O imóvel brutalista encontrava-se então à venda, tendo sido projetado nos anos 1970 naquele concelho do distrito de Lisboa.
'[A Casa-Atelier é a] verdadeira síntese e expressão de um modo muito próprio de fazer arquitetura: de grande rigor construtivo, fiel a uma matriz 'corbusiana' e assente na defesa da verdade dos materiais', descreve a Fundação Marques da Silva.
Fernão Simões de Carvalho nasceu em Luanda e veio a formar-se em Lisboa, na Escola Superior de Belas Artes, tendo trabalhado no Gabinete de Urbanização do Ultramar, entre 1955 e 1956.
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