Na manhã desta segunda-feira, o tradicional ato do Grito dos Excluídos foi realizado na Praça da Rodoviária, no centro de Belo Horizonte, reunindo dezenas de participantes em uma manifestação de caráter político e social. Promovido pelos movimentos sociais de esquerda, o evento ocorre anualmente no dia 7 de setembro, data em que se comemora a independência do Brasil, mas sempre com uma abordagem contrária às celebrações oficiais, buscando dar voz às pautas dos excluídos e denunciar desigualdades sociais.
A concentração começou às 9h30, com uma caminhada que percorreu a Avenida Afonso Pena até a Praça Sete, e contou ainda com atividades culturais ao final do percurso, realizadas no Viaduto Santa Tereza. Esta foi a 32° edição do Grito dos Excluídos, uma iniciativa que desde 1995 busca destacar questões como a defesa da terra, da moradia, da vida das mulheres, além do fortalecimento da soberania popular. A manifestação é marcada por sua postura de contraponto às celebrações patrióticas oficiais, colocando em evidência as demandas de segmentos muitas vezes marginalizados na sociedade brasileira.
Segundo Túlio Lopes, representante do Partido Comunista do Brasil (PCB) e candidato ao governo de Minas Gerais, a pauta do ato inclui a defesa da soberania nacional, a garantia de direitos básicos e a denúncia das desigualdades sociais que persistem no estado. Lopes destacou que Minas Gerais, apesar de sua riqueza, convive com altos índices de pobreza e exclusão social, o que motiva a participação do movimento na data. 'São pautas fundamentais que foram aprovadas pela construção do Grito dos Excluídos, e que marcam esse 7 de setembro, que celebra a independência do Brasil, mas que não reflete ainda a emancipação social do povo trabalhador, que vive na miséria e excluído das riquezas produzidas', afirmou.
O candidato também reforçou a importância de ações que promovam a justiça social e a igualdade de oportunidades, ressaltando o compromisso do movimento com a luta por moradia digna, acesso à terra e direitos das mulheres.
Já Rafael Duda, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), destacou a relevância do evento na discussão sobre a soberania do país. Ele criticou a exploração de minerais estratégicos por interesses estrangeiros, especialmente no contexto das terras raras, recursos considerados essenciais para tecnologias modernas. Duda reafirmou a necessidade de reestatizar as principais empresas de mineração e garantir o controle nacional sobre esses recursos, desde a extração até o beneficiamento, condenando negociações com interesses internacionais, como o governo dos Estados Unidos. 'No dia 7 de setembro, é importante resgatar a nossa soberania, especialmente em relação a esses recursos estratégicos que pertencem ao povo brasileiro', declarou.
A manifestação, assim, reforça o papel do Grito dos Excluídos como espaço de resistência e de denúncia de desigualdades, além de promover debates sobre a autonomia do Brasil frente a interesses externos e internos. A iniciativa continua sendo uma importante expressão do movimento social brasileiro na data que simboliza a independência nacional, mas que, na visão dos participantes, ainda exige avanços sociais e políticos significativos.
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