A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, recebeu na manhã desta segunda-feira (7) o tradicional Desfile Cívico-Militar da Independência. A cerimônia reuniu milhares de espectadores e aproximadamente 4 mil participantes, entre militares, estudantes, atletas, integrantes das forças de segurança e representantes de instituições civis.
O desfile começou pouco depois das 9h, após a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, em carro aberto. Depois da execução do Hino Nacional, o general de divisão João Felipe Dias Alves solicitou ao presidente da República autorização para iniciar as apresentações. A programação terminou por volta das 11h15, segundo a cobertura do UOL.
Além de Lula, acompanharam o evento o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin; do Senado, Davi Alcolumbre; e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A presença conjunta dos chefes dos Três Poderes marcou uma diferença em relação ao desfile de 2025, quando nenhum ministro do STF compareceu. Soberania como tema central
Com o lema 'Soberania: a força que une o Brasil', o desfile foi dividido em três eixos temáticos: soberania nacional, enfrentamento à violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.
A primeira parte da cerimônia teve caráter predominantemente civil. Alunos de escolas públicas abriram o desfile levando bandeiras das 27 unidades da Federação, seguidos por representações de programas de educação, saúde, vacinação, proteção ambiental, agricultura familiar e esporte.
Máquinas utilizadas por pequenos produtores, alimentos provenientes da agricultura familiar e veículos empregados no combate a incêndios florestais passaram pela Esplanada. Representantes do Ibama e do Instituto Chico Mendes também participaram de uma ala dedicada à preservação das florestas, da biodiversidade e dos recursos naturais.
Outro bloco reuniu 180 homens e mulheres de diferentes forças de segurança sob a mensagem 'Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres'. Pioneiras da Seleção Brasileira de futebol feminino também desfilaram em carro aberto, acompanhadas por jovens atletas e participantes de projetos esportivos. Tropas, blindados e sistemas de armas
Depois dos blocos civis, a cerimônia assumiu o formato militar tradicional. Tropas da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira marcharam pela Esplanada, seguidas por contingentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.
O segmento motorizado reuniu aproximadamente 120 viaturas e 30 motocicletas. Blindados, veículos táticos, sistemas de armas, mísseis e embarcações transportadas sobre plataformas passaram diante da tribuna presidencial, segundo levantamento publicado pelo Brasil de Fato.
Uma plataforma robótica do Exército chamou a atenção do público ao parar diante da tribuna e realizar uma continência. A tradicional pirâmide humana do Batalhão de Polícia do Exército e o desfile hipomóvel também integraram a programação.
A parte aérea contou com a passagem de aviões e helicópteros da FAB. O encerramento ficou a cargo do Esquadrão de Demonstração Aérea, a Esquadrilha da Fumaça, que realizou manobras sobre a área central de Brasília. A sequência das apresentações seguiu a programação divulgada previamente pelo Ministério da Defesa. Público e manifestações
As arquibancadas cobertas já estavam cheias antes do início da cerimônia, de acordo com a Agência Brasil. A Secretaria de Comunicação da Presidência estimou a presença de 70 mil pessoas, embora integrantes da segurança pública do Distrito Federal ouvidos pela Folha de S.Paulo tenham considerado o número superestimado. A previsão inicial dos organizadores era receber cerca de 30 mil espectadores.
Durante o desfile, parte do público gritou palavras de ordem favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1, além de manifestações de apoio ao presidente e pedidos de 'sem anistia'. Lula deixou a tribuna em determinado momento para cumprimentar apoiadores e tirar fotografias.
Realizado em pleno período de campanha eleitoral, o evento não teve distribuição de bonés, camisetas ou outros materiais temáticos. Lula também não discursou durante a cerimônia. As restrições buscaram evitar questionamentos sobre o uso da estrutura pública para promoção eleitoral, embora as manifestações espontâneas nas arquibancadas tenham levado o ambiente político para dentro da celebração oficial.■
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