Hospital apontou condições para desinternação, mas magistrada determinou perícia da Politec antes de decidir se Lumar Costa da Silva poderá voltar ao convívio social
A Justiça de Mato Grosso decidiu manter internado Lumar Costa da Silva, responsável pela morte da própria tia, Maria Zélia da Silva Cosmo, de 55 anos, em um crime que chocou Sorriso e ganhou repercussão nacional em 2019. A decisão ocorre após a equipe do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, em Cuiabá, apresentar um novo relatório indicando condições clínicas favoráveis à desinternação.
Apesar do parecer médico, a saída não foi autorizada. Em decisão proferida no dia 2 de setembro de 2026, a juíza Caroline Schneider Guanaes Simões determinou que a Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec) realize, com prioridade, um exame para avaliar a eventual cessação da periculosidade.
Conforme o relatório hospitalar, Lumar estaria cooperativo e apresentaria relativa estabilidade clínica. O documento aponta que ele permanece lúcido e orientado, com discurso organizado, sem agitação, comportamento agressivo contra terceiros ou sintomas psicóticos agudos.
A Justiça, entretanto, considerou necessário aprofundar a avaliação diante do histórico do paciente, especialmente do que ocorreu após uma desinternação anterior.
Lumar havia deixado a internação em junho de 2025 para continuar o tratamento de forma ambulatorial em Campinas (SP), sob acompanhamento do CAPS e supervisão familiar. Meses depois, segundo informações constantes no processo, ele voltou a apresentar comportamentos agressivos e ameaçadores envolvendo a ex-companheira e a própria filha.
Em 14 de novembro de 2025, ele voltou a ser preso após ameaças contra a ex-companheira. Três dias depois, foi determinado o retorno à internação. Posteriormente, Lumar foi transferido novamente para Mato Grosso e retornou ao Adauto Botelho.
Diante desse histórico, a magistrada entendeu que uma nova desinternação não poderia ser autorizada somente com base na evolução apresentada dentro do ambiente hospitalar. A perícia deverá avaliar se ele possui condições mentais e comportamentais para retornar ao convívio familiar e comunitário sem representar risco para si ou para terceiros.
CRIME CHOCOU SORRISO
Lumar foi preso na madrugada de 3 de julho de 2019, horas depois do assassinato da tia, ocorrido na noite anterior.
Maria Zélia foi morta a golpes de faca dentro de uma residência em Sorriso. Após o homicídio, Lumar retirou o coração da vítima e levou o órgão até familiares dela. O caso ganhou repercussão nacional pela violência empregada.
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Durante o processo criminal, Lumar foi submetido a exames de sanidade mental. Em dezembro de 2021, a Justiça homologou laudo que o declarou inimputável, após concluir que, devido a transtorno mental, ele não possuía plena capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos no momento do crime.
Os exames apontaram diagnóstico de transtorno afetivo bipolar tipo I. Por isso, em vez de uma pena convencional de prisão, foi aplicada uma medida de segurança.
Em outubro de 2023, ele deixou o sistema penitenciário e foi encaminhado ao Adauto Botelho.
Agora, uma eventual nova desinternação dependerá do resultado da perícia determinada pela Justiça. A Politec deverá analisar se houve efetiva cessação da periculosidade e se existem condições para tratamento fora do ambiente hospitalar.
Até a conclusão do exame e uma nova decisão judicial, Lumar Costa da Silva continuará internado no Hospital Adauto Botelho, em Cuiabá.
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