A China atualizou as cifras dos impactos do deslizamento provocado pelo colapso de uma geleira noNepal, em Gyirong (também conhecida como Jilong), cidade localizada no condado de mesmo nome, na Região Autônoma deXizang (Tibete), China.
O número de mortos pelo deslizamento que destruiu o posto fronteiriço de Jilong subiu para 43; outras 519 pessoas seguem desaparecidas. Os dados foram divulgados ontem (6) em coletiva de imprensa realizada na zona do desastre. OBrasil de Fatoesteve presente como parte da primeira delegação de jornalistas estrangeiros que acessou o local.
Jilong faz parte da prefeitura de Shigatse, a segunda maior cidade de Xizang. Na coletiva, o vice-presidente executivo daRegião Autônoma de Xizang, Ren Wei, informou que, até sexta-feira (5), mais de 2.500 trabalhadores, mais de 500 veículos e mais de 9 mil conjuntos de equipamentos de busca haviam sido mobilizados, com mais de mil voos de drones e 5,43 toneladas de suprimentos lançados por via aérea. Também até 27 de agosto, duas pessoas haviam sido resgatadas com vida.
Uma das principais tarefas depois do desastre no dia 26 de agosto era a de desobstruir e reconstruir parte da Rodovia Nacional G216, que é a única rota terrestre para o posto fronteiriço.
Ren Wei informou que cerca de 500 moradores de dois municípios e cinco vilarejos foram transferidos para hotéis e pousadas próximas, e estão tendo alimentação e atenção médica gratuitas; 555 turistas retidos e 1.720 cidadãosnepalesesna fronteira também foram atendidos, segundo o vice-presidente da região.
OBrasil de Fatoperguntou sobre a situação atual e os sistemas de monitoramento de riscos secundários. Luobu Ciren e o pesquisador Su Pengcheng, do Instituto de Desastres de Montanha e Meio Ambiente da Academia Chinesa de Ciências, disseram que existem sobre quatro frentes de monitoramento: do lago de represamento formado no desastre; de encostas com material residual instável; geológico nos cinco vilarejos próximos e na Rodovia Nacional 216; e rastreamento por satélite e drone de geleiras e lagos glaciais ao redor da zona. Até a manhã de ontem, mais de 20 especialistas operavam 100 conjuntos de equipamentos e chegaram a registrar mais de dez pequenos desprendimentos de gelo no canal; a entrada dos jornalistas precisou de avaliação de riscos.
Su Pengcheng disse que há três necessidades em relação à melhoria do monitoramento deste tipo de riscos. A primeira é aprofundar a pesquisa sobre os mecanismos de desastres encadeados no Himalaia: entender o processo de instabilidade de geleiras em altitudes extremas, desenvolver modelos de alerta precoce e simular a progressão de avalanches de gelo e rocha antes que atinjam áreas habitadas. A segunda, construir um sistema integrado de monitoramento 'sem contato', por satélite, ar e solo, para reduzir a dependência de pessoal em campo em altitudes extremas: satélites de radar de abertura sintética (que conseguem emitir e analisar seus próprios pulsos de micro-ondas), capazes de operar sob nuvens e chuva intensa e combinados com terminais de comunicação via satélite de baixo consumo para transmitir dados de áreas de fronteira sem cobertura de rede. A terceira é construir um mecanismo de cooperação transfronteiriça.
Poucos dias após o desastre,algumas mídias ocidentaisnoticiaram que a China estaria censurando informações sobre o desastre. A acusação foi, de certa forma, colocada durante a coletiva por jornalistas de mídias hegemônicas presentes.
A diretora-adjunta do Escritório de Relações Exteriores deXizang, Yang Lahong, confirmou que 261 estrangeiros de 23 países figuram entre os desaparecidos. Em resposta a perguntas de jornalistas de veículos dos Estados Unidos, Yang explicou que as identidades não foram divulgadas publicamente por questões de privacidade, e que elas têm sido comunicadas por canal diplomático às embaixadas dos países de origem.
Sobre se as famílias serão informadas caso pertences sejam encontrados sem o corpo correspondente, Yang afirmou que sim. O vice-diretor de Segurança Pública de Xizang, Pu Weidong, disse que 993 objetos pessoais foram recolhidos, numerados e catalogados; 60 técnicos forenses em três laboratórios estão coletando DNA, impressões digitais e características físicas, comparando com amostras fornecidas pelos familiares. Uma central de 24 horas para familiares estrangeiros, em inglês e nepalês, recebeu até o momento 509 ligações.
O porto é um nó histórico da histórica Rota do Chá e Cavalo e da Estrada Tang-Tibet, respondeu por 14 bilhões de yuans (cerca de R$ 10,8 bilhões) em comércio nos últimos cinco anos, representando em 2025 mais de 40% do volume de comércio de Shigatse. Luobu Ciren disse que já há estudos para retomada das funções do porto que estão em andamento.
(0)Comments