Pena suspensa para professor acusado de fazer comentários homofóbicos em Aveiro

Pena suspensa para professor acusado de fazer comentários homofóbicos em Aveiro
View on original source
Category: Politics
Share
Archive
Like
Um professor da Universidade de Aveiro (UA), acusado de proferir comentários homofóbicos nas redes sociais que chocaram a comunidade académica, foi condenado a dois anos de prisão, com pena suspensa, informou hoje fonte ligada ao processo. Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui. O professor universitário, de 64 anos e residente no Porto, foi condenado na quinta-feira pelo Tribunal de Aveiro por um crime de discriminação e de incitamento ao ódio e à violência, na pena de dois anos de prisão, suspensa na sua execução por igual período. A suspensão da pena ficou condicionada à obrigação de o arguido proceder ao pagamento de 500 euros à associação ILGA Portugal, que luta pela igualdade e contra a discriminação das pessoas LGBTI+ e das suas famílias em Portugal. Pedro Teixeira, advogado da Associação Académica da UA, assistente no processo, congratulou-se com a decisão. "É verdadeiramente fundamental para que jamais se coloquem em causa os valores fundamentais da nossa democracia e do Estado de direito", afirmou Pedro Teixeira. O causídico lamentou, contudo, que o arguido não tenha compreendido o desvalor da sua conduta. O arguido não terá demonstrado "o mais singelo sinal de arrependimento", afirmou Pedro Teixeira. O caso resultou de uma queixa apresentada junto do Departamento de Investigação e Ação Penal de Aveiro pela Associação Académica da UA. A acusação refere que o docente publicou na sua página na rede social Facebook diversos comentários cujos conteúdos "revestem uma conotação de teor depreciativo e discriminatório relativamente a pessoas pertencentes à comunidade LGBT, por causa do seu sexo ou orientação sexual, identidade e expressão de género". Em causa está uma publicação que o professor fez em junho de 2022 a criticar a comunidade LGBTQ+, a propósito de uma campanha publicitária que dava a conhecer vários termos relacionados com esta comunidade, como "gay", "lésbica", "queer" ou "não-binária". "Acho que estamos a precisar urgentemente duma 'inquisição' que limpe este lixo humano (?) todo!", escreveu na altura o docente, acrescentando que o ato publicitário era uma agressão e que "merecia umas valentes pedradas nas vitrinas". Os investigadores referem ainda que o arguido proferiu diversos comentários discriminatórios no telejornal de um canal de televisão, em que admitiu ser homofóbico, fazendo a apologia da violência. A acusação realça ainda a elevada gravidade da conduta do arguido, afirmando que esta era suscetível de se projetar e revelar, de forma negativa, não só na sua idoneidade cívica, mas também enquanto docente no Departamento de Física da UA. Na sequência deste caso, a UA determinou a instauração de um processo disciplinar, que terminou com uma decisão condenatória, e suspendeu o docente, que entretanto voltou a dar aulas. O incidente motivou ainda a realização de uma manifestação com cerca de 200 estudantes universitários em frente à reitoria da UA, contra o discurso de ódio e a discriminação na instituição. Na altura, o professor universitário enviou um e-mail à Lusa, afirmando que a publicação foi feita a título pessoal e espelhava a sua opinião, que "é soberana num Estado que é considerado livre e consagrada na Constituição". "Naturalmente, haverá quem não goste da minha posição, mas isso faz parte da vida. Eu também não gosto de muitas posições e não faço alarido nem persigo ninguém, limito-me a comentar, como aliás o fiz na minha publicação", concluiu o professor.

(0)Comments

 

A note on cookies

Newshunt uses essential cookies to keep you signed in and to remember your language and country, so the site works the way you expect. With your permission, we'd also like to use analytics cookies to understand how people use Newshunt and improve it over time.

Accepting only affects analytics. To learn more, view our Privacy Policy or Terms & Conditions.