O líder parlamentar do PSD considerou esta segunda-feira que a moção de censura do Chega ao Governo é 'deslocada da realidade e caiu de Marte aos trambolhões', considerando que o ministro Luís Neves já deu 'todas as explicações'.
No final da primeira reunião da bancada do PSD após as férias parlamentares, Hugo Soares foi questionado se o chumbo anunciado desta moção poderá funcionar como um reforço da confiança, mas não quis abrir a estratégia para o debate de terça-feira.
'Esta é uma moção de censura completamente deslocada da realidade, uma espécie de moção de censura que caiu de Marte aos trambolhões com o único propósito de manter o deputado André Ventura na agenda mediática', acusou, enumerando as várias entrevistas dadas pelo líder do Chega nas últimas semanas.
Pelo contrário, preferiu destacar a subida do 'rating' da República, os dados da descida do desemprego e a subida do crescimento acima da zona euro.
'Um país onde os impostos descem e os salários aumentam está a discutir a possível queda — que não acontecerá do Governo. O deputado André Ventura é o deputado do caos, da instabilidade e das televisões, já agora', acusou.
Já questionado sobre a audição do ministro da Administração Interna na terça-feira de manhã, Hugo Soares disse esperar que Luís Neves possa falar sobre o reforço do controlo de fronteiras nos aeroportos ou no combate aos incêndios deste verão.
'É isso que espero que seja a audição do ministro da Administração Interna, porque, no mais, todas as explicações ele já deu: o que temos é um problema, uns querem ouvir, outros não querem', afirmou.
Sobre as prioridades para a próxima sessão legislativa, Hugo Soares remeteu para uma futura reunião da bancada na próxima semana, dizendo que esta segunda-feira não se falou nem do Orçamento do Estado para 2027 nem da futura revisão constitucional.
'Aquilo que eu peço aos deputados é sempre o mesmo, proximidade e foco naquilo que verdadeiramente interessa. E o que verdadeiramente interessa aos portugueses não é o jogo partidário, o que interessa aos portugueses é a resolução dos problemas que afetam as suas vidas', disse.
A Assembleia da República debate e vota na terça-feira a moção de censura do Chega ao Governo, centrada na manutenção no Governo do ministro da Administração Interna Luís Neves e que tem chumbo garantido.
Para ser aprovada — o que implicaria a demissão do Governo —, a moção de censura teria de ter o voto favorável de 116 deputados, hipótese já afastada, uma vez que o PS anunciou que votará contra ou vai abster-se.
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