Como a Groenlândia virou cortina de fumaça para a batalha entre Rússia, China e EUA
6:01
Trump alega que os EUA precisam anexar a Groenlândia por 'questões de segurança nacional', mas especialistas rebatem ameaça russa e chinesa. Crédito: Larissa Burchard/Estadão
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você
Gerando resumo Abrir o resumo
A União Europeia buscou, nesta segunda-feira, 7, tranquilizar uma Groenlândia apreensiva com a promessa de uma parceria mais forte e centenas de milhões de euros em investimentos, após repetidas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de assumir o controle da ilha. Durante uma visita à capital, Nuuk, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ofereceu € 200 milhões em apoio durante os próximos dois anos para ajudar o país a combater as mudanças climáticas, reforçar as conexões de internet e melhorar usinas hidrelétricas, a pesca e a educação.
PUBLICIDADE
O bloco aumentou seu foco na Groenlândia desde que Trump começou a insistir que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da ilha por razões de segurança. Suas declarações persistentes geraram preocupações sobre a soberania, provocando resistência de líderes groenlandeses e dinamarqueses e aumentando as tensões entre os aliados da Otan.
'O futuro da Groenlândia cabe ao povo da Groenlândia e da Dinamarca decidir. Mais ninguém', disse Ursula von der Leyen. 'Integridade territorial, soberania, inviolabilidade de fronteiras. Estes são princípios fundamentais do direito internacional.'
Publicidade
Recursos para o desenvolvimento da Groenlândia
Os recursos também destinam-se a melhorias na habitação, apoio a pequenas empresas e turismo sustentável. Ursula Von der Leyen também afirmou que deseja dobrar o apoio orçamentário do bloco à Groenlândia para cerca de meio bilhão de euros a partir de 2028. 'A Groenlândia pode contar com a União Europeia', disse ela, após assinar uma declaração entre a União Europeia e a Groenlândia com o primeiro-ministro da região, Jens-Frederik Nielsen, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen. A Groenlândia é um território semiautônomo da Dinamarca, aliada da Otan.
Verba se destina a melhorias na habitação e no turismo, entre outras áreas; na foto, a capital, Nuuk
Foto: Evgeniy Maloletka
Nielsen descreveu o bloco de 27 nações da União Europeia como 'um amigo leal e de confiança', notadamente em um momento em que a ilha enfrenta 'novos desafios que não podemos enfrentar sozinhos'. 'Nestes tempos desafiadores, o seu apoio para conosco é inabalável', disse ele. 'Vocês estiveram ao nosso lado e continuam ao nosso lado. Sentimos isso e somos profundamente gratos.'
Dinamarca e aliados europeus resistem à pressão de Trump
O governo Trump também pressionou a Dinamarca. 'Estivemos sob pressão', disse Frederiksen a jornalistas. 'Ficou muito claro, e estamos muito gratos pelo grande apoio que recebemos de nossos parceiros europeus e, aliás, também globalmente.' A Dinamarca e sete de seus aliados europeus enviaram um pequeno grupo de militares à ilha em janeiro, publicamente para exercícios militares focados no fortalecimento da segurança no Ártico, mas com a intenção de demonstrar apoio à soberania da Groenlândia.
Publicidade
Em resposta, Trump ameaçou impor novas tarifas sobre todos eles: Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido. Eles condenaram a medida por minar as relações transatlânticas, e Trump acabou recuando depois que a Otan concordou em reforçar a segurança na região do Ártico.
Leia também
A visita da presidente da Comissão Europeia ocorre no momento em que 11 países da Otan iniciaram exercícios militares na Groenlândia nesta segunda-feira, envolvendo cerca de 400 militares, incluindo tropas de forças especiais do Canadá, da Dinamarca e da Finlândia treinadas para operar em condições árticas. Nenhuma tropa dos Estados Unidos está participando dos exercícios Arctic Shield, realizados de 7 a 18 de setembro. / AP
(0)Comments