Uma multidão prestou homenagem nesta segunda-feira (7), em Belgrado, ao ex-general sérvio Ratko Mladic. O funeral, marcado por manifestações de apoio ao militar condenado por genocídio e crimes contra a humanidade, provocou indignação de autoridades internacionais e da União Europeia (UE).
Mladic morreu no fim de agosto, aos 84 anos, em Haia, na Holanda, onde cumpria pena. Simpatizantes e veteranos de guerra concentraram-se na igreja ortodoxa de São Lucas, nas primeiras horas da manhã, levando a polícia a interditar as ruas próximas. O corpo permaneceu exposto por cinco horas antes de seguir em cortejo para um cemitério.
Bandeiras sérvias e faixas chamando o ex-general de 'herói nacional' foram espalhadas pelas imediações. O caixão, coberto com as cores da Sérvia, havia chegado ao país na quinta-feira em um avião do governo, sendo recebido com honras militares.
Um porta-voz da UE afirmou que a glorificação de criminosos de guerra e negacionistas do genocídio contradiz os valores fundamentais do bloco e não tem espaço em países candidatos à adesão. A comissária europeia para a ampliação da UE, Marta Kos, cancelou a visita à Sérvia prevista para 9 de setembro, classificando as homenagens como incompatíveis com os princípios da organização.
Mladic comandou o Exército dos sérvios da Bósnia no início da década de 1990 durante a desintegração da Iugoslávia. Ele foi condenado por um tribunal internacional em 2017, com destaque para o massacre de Srebrenica, em julho de 1995, onde cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos por forças servo-bósnias.
O ex-general permaneceu foragido por quase 16 anos, sendo capturado apenas em 26 de maio de 2011, em um vilarejo ao norte de Belgrado. As guerras dos Bálcãs, impulsionadas pelo nacionalismo do então presidente Slobodan Milosevic, deixaram cerca de 100 mil mortos e mais de 2,5 milhões de deslocados.
(0)Comments