Pentágono estuda reduzir presença militar em bases do Golfo após ataques iranianos

Pentágono estuda reduzir presença militar em bases do Golfo após ataques iranianos
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Category: Politics
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O Pentágono está avaliando uma possível redução ou redistribuição das forças norte-americanas estacionadas no Golfo Pérsico depois que meses de ataques iranianos expuseram a vulnerabilidade das grandes bases militares dos Estados Unidos na região. A análise inclui a possibilidade de retirar parte dos militares de instalações localizadas próximas ao Irã, transferir equipamentos para bases mais a oeste e não reconstruir algumas estruturas danificadas durante o conflito. A iniciativa, entretanto, ainda não constitui uma revisão formal nem representa uma decisão de abandonar o Oriente Médio. Segundo o Washington Post , a avaliação é conduzida pelo escritório de políticas do Pentágono, com a participação do Estado-Maior Conjunto e do Comando Central dos Estados Unidos, o CENTCOM. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, ainda não teria determinado oficialmente uma revisão completa da presença militar regional. O estudo foi descrito por uma autoridade como parte do planejamento necessário para decidir quais bases deverão ser reconstruídas. Grandes bases tornaram-se alvos fixos Antes do início da guerra contra o Irã, o CENTCOM mantinha normalmente cerca de 40 mil militares distribuídos por quase 20 instalações, formando um arco entre a Jordânia e Omã. Esse contingente cresceu para mais de 50 mil durante o conflito, acompanhado por navios de guerra, caças, sistemas de defesa aérea, unidades aerotransportadas e aeronaves de apoio. As principais instalações norte-americanas ficam justamente no Golfo Pérsico. O Catar abriga a Base Aérea de Al Udeid, um dos centros de comando aéreo mais importantes dos Estados Unidos. O Bahrein sedia o quartel-general da Quinta Frota, enquanto Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita recebem forças terrestres, aéreas e sistemas de defesa antimísseis. Essas bases foram construídas para permitir uma resposta rápida a crises regionais, mas sua localização e suas grandes estruturas permanentes também facilitaram o planejamento dos ataques iranianos. Instalações como pistas, depósitos, radares, centros de comunicações, alojamentos e hangares não podem ser deslocadas rapidamente e possuem coordenadas conhecidas. Uma análise de imagens de satélite realizada pelo Washington Post identificou pelo menos 228 estruturas ou equipamentos danificados ou destruídos em 15 locais utilizados pelas forças norte-americanas. Entre os alvos atingidos estavam instalações de comunicações em Al Udeid, equipamentos Patriot no Bahrein, bases no Kuwait e aeronaves estacionadas na Arábia Saudita. A investigação concluiu que a extensão dos danos era superior à admitida publicamente por Washington. Dispersão em vez de retirada completa Uma das opções consideradas seria deslocar tropas e equipamentos para posições mais afastadas do território iraniano, incluindo instalações na Jordânia, em Israel ou próximas à costa do Mar Vermelho na Arábia Saudita. A distância adicional dificultaria ataques com drones e mísseis de menor alcance, embora não eliminasse a ameaça dos sistemas balísticos iranianos. Outra possibilidade seria substituir parte das grandes bases permanentes por uma estrutura mais dispersa. Os Estados Unidos poderiam manter acordos de acesso, estoques de armamentos previamente posicionados, unidades rotativas, forças navais e capacidade de reforço rápido, reduzindo simultaneamente a concentração de militares e equipamentos em poucos locais. Essa configuração não significaria necessariamente uma retirada estratégica. Analistas do Stimson Center observam que há uma diferença entre abandonar compromissos regionais e redesenhar a presença militar para torná-la menos vulnerável. Uma rede distribuída poderia preservar a capacidade de intervenção sem manter grandes contingentes permanentemente expostos. A mudança também teria consequências políticas. Governos do Golfo dependem há décadas da presença norte-americana como elemento de dissuasão contra o Irã. Uma redução significativa poderia levá-los a investir mais em defesas antimísseis, sistemas contra drones, abrigos reforçados e produção nacional de armamentos, além de buscar novos parceiros externos. Presença será mantida no curto prazo Apesar dos estudos sobre uma futura redução, o Pentágono continua ampliando ou prolongando alguns destacamentos. Hegseth autorizou que unidades permaneçam no Oriente Médio até o final de 2026, enquanto determinados contingentes poderão continuar mobilizados em 2027. Segundo o Wall Street Journal , aproximadamente 50 mil militares, 19 navios de guerra, esquadrões de caça, unidades de defesa aérea e paraquedistas permanecem na região para oferecer opções militares ao presidente Donald Trump. As extensões estão aumentando o desgaste do pessoal e criando atrasos de manutenção que poderão levar anos para serem corrigidos. Comandantes responsáveis pelas operações na Europa, no Indo-Pacífico e na América Latina advertiram que a manutenção prolongada desse nível de esforço reduz a disponibilidade de navios, aeronaves e sistemas de vigilância em outras regiões. A Marinha norte-americana enfrenta dificuldades particulares para sustentar grupos de porta-aviões, destróieres e missões de escolta por períodos superiores aos inicialmente previstos. Os combates também consumiram grandes quantidades de interceptadores Patriot e THAAD, além de mísseis de cruzeiro e drones MQ-9 Reaper. Chefes militares teriam alertado Hegseth de que operações prolongadas contra o Irã podem comprometer a capacidade de responder a outras ameaças, especialmente no Indo-Pacífico. Qualquer alteração permanente dependerá do fim das hostilidades, de consultas com os países anfitriões e da aprovação das autoridades superiores do governo Trump. A principal decisão será determinar se os Estados Unidos reconstruirão o modelo de grandes bases criado nas últimas décadas ou adotarão uma presença menor, móvel e dispersa, adaptada à realidade de um Oriente Médio no qual instalações norte-americanas já não podem ser consideradas santuários.■ Redes Sociais A Trilogia Forças de Defesa também está presente nas redes sociais. Para comentar e discutir as matérias com os editores e outros leitores, entre no nosso grupo no WhatsApp e no Facebook. Para correções, críticas e sugestões de pauta, contate os editores: redacao@fordefesa.com.br.

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