Programa Procon nas Escolas começa nesta quinta-feira (10/05) e vai ensinar alunos do 6° ano a lidar com dinheiro, consumo, apostas e escolhas no ambiente digital.
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Antes mesmo de ter renda própria, crianças e adolescentes já precisam tomar decisões de consumo. A publicidade aparece no celular, as redes sociais encurtam a distância entre desejo e compra e até as apostas disputam a atenção desse público.
A dimensão desse ambiente digital aparece na pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025. Naquele ano, 92% das crianças e adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos utilizavam a internet, o equivalente a cerca de 24,5 milhões de pessoas. O dado mais recente foi divulgado pela Anatel, com base no levantamento do Cetic.br.
Outro número chama a atenção: 55% dos entrevistados na TIC Kids Online Brasil 2025 relataram exposição à publicidade nas redes sociais. Além disso, 28% tiveram o primeiro contato com a internet até os 6 anos de idade, segundo dados da pesquisa reproduzidos pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
É nesse cenário que Blumenau lança, nesta quinta-feira (10/09/26), o Procon nas Escolas, programa que pretende começar essa conversa cedo. A iniciativa será direcionada aos estudantes do 6° ano do ensino fundamental e trabalhará consumo consciente, educação financeira, direitos e responsabilidades.
O lançamento está marcado para as 9h45, no auditório da Escola Municipal Machado de Assis, na Rua Engenheiro Paul Werner, 1.334, na Itoupava Seca.
Apostas também entram na conversa
Uma das preocupações do programa está justamente onde boa parte dos jovens passa horas do dia: o ambiente digital. Além dos estímulos ao consumo, o Procon vai chamar a atenção para os riscos relacionados aos jogos e às apostas.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) ajuda a dimensionar o problema. A pesquisa, divulgada em 2025, analisou publicações feitas entre outubro e dezembro de 2024 e identificou mais de 200 mil conteúdos relacionados à promoção de apostas ilegais em plataformas digitais.
Somente no Telegram, foram encontradas mais de 115 mil mensagens públicas relacionadas às apostas ilegais. Outras 86 mil ocorrências apareceram em diferentes plataformas. Ao todo, o material analisado acumulava mais de 1 milhão de interações.
Segundo o Ibict, a pesquisa identificou crianças e adolescentes como alvos de estratégias de marketing que escondem a restrição de idade e utilizam influenciadores para divulgar jogos.
Aprender antes de gastar
Dentro das escolas de Blumenau, a proposta é transformar essas preocupações em situações que os estudantes consigam reconhecer no dia a dia.
As crianças terão contato com princípios básicos do direito do consumidor e aprenderão sobre seus direitos, deveres e responsabilidades. Também serão estimuladas a perceber a diferença entre desejo e necessidade, planejar os gastos e respeitar limites financeiros.
Para o coordenador do Procon, Cezar Campesatto, trabalhar essas questões ainda na infância pode ajudar a evitar problemas mais tarde. 'Ao formar consumidores mais conscientes e bem informados, contribuímos para relações mais equilibradas e para a prevenção de conflitos no futuro, construindo uma sociedade que conhece seus direitos e sabe exercê-los com responsabilidade', afirma Campesatto.
O programa terá caráter permanente. Nas escolas municipais, as atividades ocorrerão todas as quintas-feiras, nos períodos da manhã e da tarde. As redes estadual e particular também serão atendidas. Nesses casos, o Procon selecionará as unidades conforme o andamento do programa, com atividades realizadas uma vez por semana.
A programação inclui uma cartilha pedagógica e palestras lúdicas sobre cidadania, educação financeira, empreendedorismo e relações de consumo. O Procão, apresentado como amigo do Mini Consumidor, terá participação especial. Ao fim de cada atividade, as turmas receberão certificados de formação.
'Mais do que ensinar conceitos, pretendemos formar cidadãos preparados para fazer escolhas conscientes', reforça Campesatto. Num mundo em que o primeiro estímulo para gastar pode chegar muito antes do primeiro salário, o Procon quer fazer a informação chegar antes também.
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