'Fulminante' - é como foi classificada em Brasília a segunda tacada do ministro André Mendonça ao obter o afastamento do diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em apenas uma hora.A decisão se consolidou após despacho confirmado por dois de seus colegas na segunda turma, 10 minutos depois da abertura do plenário virtual, nesta terça-feira, primeiro dia útil após o feriado prolongado de 7 de Setembro. É a segunda decisão de Mendonça a pegar de surpresa a cúpula da Suprema Corte, voltando a convulsionar o ambiente no Tribunal e a criar um fato consumado perante a opinião pública. Na primeira ocasião, há uma semana, o ministro retirou o sigilo de relatório da Polícia Federal que revelou a troca de mensagens entre o colega Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.A atitude afetou a imagem de Moraes e levou o ministro a reagir, ante o desgaste praticamente irreversível. Desta vez, Mendonça utilizou relatório de inteligência citado por Moraes para pedir investigação contra o próprio Mendonça, para atestar supostas investigações irregulares feitas pela Polícia Federal sob o comando de Andrei Rodrigues e que justificariam o afastamento do chefe da corporação. O ministro Gilmar Mendes, isolado na segunda turma, ainda pediu vista do despacho de Mendonça, mas não conseguiu barrar a confirmação da determinação do colega, corroborada de forma quase imediata por Luiz Fux e Nunes Marques. Ainda não se sabe se Dias Toffoli vai se manifestar ou se declarar impedido, como tem agido nas questões relacionadas aas investigações do caso Master. A ordem de afastamento foi acatada de imediato por Andrei Rodrigues, que deixou de presidir cerimônia na Academia de Polícia Federal, em Brasília, passando a tarefa ao substituto, Willian Murad. A missão de reagir formalmente aa determinação judicial ficará a cargo do Advogado Geral da União, Jorge Messias. Conhecido aliado pessoal de André Mendonça, Messias será levado, por dever institucional, a confrontar a determinação do amigo. A iniciativa de Mendonça sujeita o Supremo a reagir com mais agilidade na crise instalada desde as revelações que comprometem Alexandre de Moraes. O apoio ao ministro desidrata rapidamente no meio político, com o afastamento de aliados tradicionais como o presidente Lula, que saiu em defesa do esclarecimento dos fatos, com gestos de apoio institucional ao presidente do STF, Edson Fachin. O magistrado ainda oscila entre acelerar ou retardar passos relevantes da solução da crise, como levar ao plenário tantos as demandas de Mendonça quando às de Moraes, que estão em confronto direto. Ainda não há horizonte de solução para a crise, seja do ponto de vista formal, seja sob o aspecto político.✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp
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