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Vivência da Arena, Rádio Observador e também em vídeo no YouTube, hoje com a Judite França, o António Costa e o Vítor Matos. Eu sou o Ricardo Conceição. Hoje vamos à questão dos combustíveis, ao aumento que foi sentido hoje com dureza na hora de ir abastecer, também à resposta do governo perante esta matéria. Também temos que falar sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde, mas vamos arrancar com o longo dia que nos aguarda amanhã, um dia em que vamos ter Luís Neves pela manhã no Parlamento e pela tarde uma moção de confiança. Qual destes dois grandes momentos tens mais expectativas, Judite?
Eu tenho ainda assim mais expectativas da parte da manhã.
Pela fresca.
Pela fresca, para saber exatamente, para já, como é que Luís Neves vai reagir às perguntas, que não vão ser nada meiguinhas, e vamos ver que tipo de atitude tem. Se tem a mesma atitude beligerante da última intervenção ou se estará mais tranquilo a responder às perguntas e tentando respondê-las de uma forma acertada e assertiva, mas sem nenhum daqueles momentos tão musculados como foram os da intervenção na Madeira.
Duelo pela manhã. É o duelo pela manhã.
É um duelo pela manhã.
Pela fresquinha. O cheiro a Luís Neves pela manhã.
Aqui não é o portuense.
Só alçações, pelo amor de Deus.
Sim, agora que falas nisso, estava aqui numa referência cinematográfica.
Pois, mas há limites. Até faz referências cinematográficas.
Sabes que uma pessoa vem de férias e às vezes demora um bocadinho.
Não é napalm, são bidões, senhor.
Exato, são bidões. Aqui já uma referência mais religiosa.
Histórica.
Ao milagre das rosas. Desculpa, Judite, tu estavas a falar de?
Estava a falar de Luís Neves. Eu acho que Luís Montenegro tem aqui um problema, que é segurar ministros. Há vários problemas, há um problema com Luís Neves, mas também há um problema com Luís Montenegro. Luís Montenegro acha que segurar ministros sob fogo é um grande sinal de autoridade, quando não é, não tem que ser um sinal de autoridade. E quando o ministro da Administração Interna passa mais tempo a defender a sua conduta ética do que, por exemplo, a gerir a segurança do país, que é uma das suas funções, eu acho que o custo político deixa claramente de ser do ministro e passa a ser o custo político do primeiro-ministro. O primeiro-ministro comprou aquela narrativa de que Luís Neves era intocável pelo seu passado na Polícia Judiciária. Mas isto na política o passado é sempre uma coisa muito complicada. Não é nada linear.
Como dizem os chineses: "O passado é uma realidade muito incerta ou muito instável."
Muito instável, é mesmo. E está a saber o quão instável é. E eu acho que a reação que Luís Neves teve na Madeira foi um pouco absurda, mas mostra que o ministro não vai cair sem dar luta. E Luís Montenegro comete aqui um erro de cálculo que é ao segurar a todo o custo Luís Neves, entra em rota de colisão com aquilo que é a fasquia moral do Presidente da República. E a única sorte de Luís Montenegro aí é que Luís Montenegro sabe que o Presidente da República prefere estabilidade das instituições, dificilmente fará um combate político ruidoso na comunicação social contra o governo. Isso parece mais ou menos evidente. E precisamente por saber que Belém não vai criar casos na imprensa, Montenegro sente margem para dar tempo ao ministro Luís Neves para se defender e para tentar estancar esta crise. Por seu turno, André Ventura, que é outro dos ingredientes desta confusão, viu aqui a oportunidade perfeita. O Chega não quer fazer cair o governo, isso é evidente, com esta moção de censura, até porque sabe que ela não passa e por isso é que a coloca, mas cola a mancha ética a Montenegro e ao PSD, força o PS a posicionar-se e, portanto, faz aqui uma rentabilização do seu espetáculo político no seu máximo.
E Vítor, qual é a tua expectativa para amanhã?
Olha, o futuro também é uma realidade incerta. E eu já aprendi a dosear expectativas e a baixá-las o máximo possível.
Neste caso, podes manter as expectativas altas.
O ministro diz que quer combater o populismo.
Já tivemos promessas de audições parlamentares durinhas.
Sim, depende da estratégia que o ministro leve para lá, porque ele depois não pode esquecer que há o debate à tarde. E portanto, se ele for para lá dar agora e usar aqui a linguagem O policial dar munições para serem usadas contra ele à tarde, se calhar é melhor ir com uma postura um pouquinho mais defensiva do que a bravata do que era combater o populismo. Porque o ministro tem que decidir se quer combater o populismo ou se quer alimentar o populismo. É que o caso em si é pasto para o populismo lavrar. As reações do ministro ainda pior. E, portanto, eu temo que amanhã o ministro leva uma estratégia muito racional e toma dois Xanax antes de sair de casa, ou aquilo corre o risco de se virar contra ele e contra o próprio primeiro-ministro depois no debate. Se isto for feito de forma profissional, isto vai estar tudo articulado com São Bento e se calhar vai ter uma atitude um bocado mais recuada, porque o que interessa ao governo? Aparentemente, interessa lhes esvaziar o Chega.
Interessava que ele não tivesse que falar de manhã antes da moção de censura. Isso é que interessava ao governo.
Ou então não lhe interessa esvaziar o Chega, porque é uma maneira de tornar o PS ainda mais secundário do que já é. Portanto, em termos de estratégia política, isto pode valer para tudo. Agora, do ponto de vista da substância do assunto, fora aqui de cálculo político. Os primeiros-ministros resistem sempre a remodelar e mexer em ministros que estão com problemas. Hoje a realidade é diferente, mas vou só lembrar aqui dois ou três casos. Caso Martins da Cruz, no governo Durão Barroso. O Durão Barroso segurou o ministro até o limite. Era o caso de uma cunha, de uma filha, em uma universidade, não sei o quê. No limite, só saiu o ministro quando aquilo já era insustentável. O ministro de coadmissão mais rápida que eu me lembro foram dois, que é a exceção a isto. Foi aquela anedota do alumínio do tempo de Cavaco Silva. O ministro do Ambiente foi demitido imediatamente.
Ainda não tinha chegado a Lisboa.
E foi a dos corninhos do Manuel Pinho no Parlamento por José Sócrates. Isso hoje é a exceção. Eu não estou a ver isto acontecer hoje e não estava a ver isto acontecer, por exemplo, no governo de António Costa.
João Soares também saiu com as promessas de estabelecimentos.
E António Costa, depois, tendo dois casos muito parecidos a este, não no caso em si, mas na permanência, que foi o caso do Duarte Cabrita, no MAI também, e foi o caso João Galamba, que depois segurou por causa da guerra com o presidente da República. Não está fora deste padrão o Luís Montenegro. Qual é o problema? É que a fazer alguma coisa, e por exemplo, a questão da bitola moral do presidente da República, era preciso que ele dissesse qual era, porque ele agora não diz qual é. Já disse no passado, mas agora como presidente nem disse. E disse que ia ser ativo nisso, na campanha eleitoral, do ponto de vista da ética, e não está a ser.
Vamos ouvir também o António. António, adiantaste-
Eu estava a deixar falar porque de facto-
Não. Eu queria saber se adiantaste a tua hora de pilates amanhã para poder estar disponível às 10:00.
A comer pipoca naquela hora.
Às 10:00. Estarei seguramente disponível às 10:00, porque embora não tenha tantas expectativas sobre a quarta intervenção do ministro Luís Neves neste contexto desta crise. E cada uma é pior que a anterior. Portanto, eu vou dizer, a minha expectativa é que seja pior que a anterior. É evidente que é um espaço, diria, mais adequado para a resposta política do que foi a da Madeira, mas também é evidente que ali vai ser questionado por deputados com a liberdade, que obviamente em fórum parlamentar existe, e que se espera a dureza e a agressividade, provavelmente até agressividade em alguns casos, que se saiba não será André Ventura, que estará lá sentado, não pertence àquela comissão, embora possa ir. Vamos lá ver, seria estranho que se pusesse ao nível de ministro quando quer ser primeiro-ministro, e, portanto, não é de esperar que seja o próprio a ir lá àquela comissão.
Não sei. O André Ventura, se aquilo é fato, daquilo é só faturar.
Mas com uma moção de censura à tarde, diria que cometeria o erro noutra perspectiva que cometeu o Luís Neves quando decidiu estar a discutir com o líder da oposição. Agora o líder da oposição estar a discutir com o ministro e não com o primeiro-ministro, o que seria um bocadinho absurdo, mas enfim. Concedo no que estás a dizer, tudo é possível. Mas com a moção de censura à tarde.
Aquilo é dinheiro em caixa.
Sem a moção de censura à tarde, eu admitiria que sim, que a moção de censura não me parece que faça sentido. Agora, eu creio que nesta altura já não há boa saída para isto, da parte do governo. Se o ministro continuar, vai ser um festival de pressão política até ele continuar a seguir. Se o ministro cair, o Chega vai, obviamente, com a sua moção de censura, vai capitalizar e dizer: "Nós é que mandamos abaixo este ministro, agora vamos lá escolher o seguinte", porque está atestado o efeito. Por paradoxo possa parecer, a alternativa mais benigna, ainda assim veremos quanto, seria algum dos relatórios ou das auditorias ou dos processos judiciais Ter informação que terminasse em que o próprio Luís Neves decidiria sair pelo seu pé, dizendo: "Olha, faça esta decisão da Justiça."
À la Miguel Relvas.
Sim, faça esta decisão. No caso do Miguel Macedo nem precisou disso, porque saiu pelo seu pé muito mais rapidamente. Face à abertura do inquérito ou desenvolvimentos a estes processos que o procurador na semana passada anunciou como urgentes, isto retira pressão ao Luís Montenegro para decidir ele próprio, porque os factos levam a uma decisão que seria natural. Enquanto isso não acontecer, eu creio que vamos ter, ao contrário do que parece, a moção de censura tem um valor político em si, mesmo que não deite um governo abaixo, tem um valor.
Dá pontos ao Chega.
Dá pontos ao Chega. Não sei se dá pontos eleitorais. Como é que se materializa do ponto de vista eleitoral, já é outra discussão.
Posso dizer uma coisa, António?
Podes.
Esta coisa de não saber se isto vale eleitoralmente ou não, estes casos, é porque o governo pensa um bocadinho a ideia é que as pessoas estão preocupadas é com o preço dos combustíveis e o custo de vida, não é com estas questões aqui. Não é verdade. Porque nós no caso Pinum Viva, as pessoas conseguem processar várias coisas ao mesmo tempo. O cérebro ainda mais ou menos acho que vai funcionando. As televisões dão só um tema de cada vez, mas as pessoas conseguem pensar mais do que um. No caso Pinum Viva, o governo, de facto, não perdeu, a vitimização não deu para disparar, mas quem cresceu 10 deputados foi o Chega.
Não, e a pergunta que se põe-
O Chega cresceu
...foi uma leitura que não foi muito feita nessa altura, é depois de tudo o que deu o governo naquele primeiro ano, já nos esquecemos, e os eleitores também, porque estas coisas esquecem-se rapidamente, o que é extraordinário é que só tenha subido aquilo e não tenha subido para um valor próximo da maioria absoluta. E isso resulta do caso Pinum Viva, não tenhamos dúvidas. Neste contexto político, o desgaste vai continuar e eu creio que vai piorar a partir de amanhã, porque eu acho que Luís Neves já está falado do caso. Demonstrou que não tem o perfil para exercer uma função governativa. Isso vai ser evidente, quer o primeiro-ministro queira ou não. E é um dado interessante. Hoje sai uma sondagem. Veremos o que é que dirá a sondagem, nomeadamente sobre intenções de voto e que impacto é que terá.
Neste caso.
Neste caso e na gestão política deste caso da parte do governo. Veremos, estou curioso.
Amanhã a Rádio Observador vai transmitir em direto tanto a audição de Luís Neves de manhã, em sede de comissão parlamentar, como depois à tarde vamos transmitir obviamente em direto a discussão e votação da moção de censura. Amanhã vamos ter um dia em cheio, praticamente a emissão especial desde as 09:00 até bem perto das 20:00, porque vamos acompanhar todos estes momentos em direto e com comentário. Mas Judite, ficaram aqui notas penduradas para dar sobre Luís Neves amanhã e a moção de censura também. Queres dar nota a quem?
Eu por acaso tinha três notas, então uma fartura hoje.
Avança.
Uma pauta.
Tenho nota pra Luís Neves, claro, obviamente, e é um seis. Tenho pra Luís Montenegro e são uns meros oito valores, porque acho que está acometido daquele síndrome do desgaste lento e não sai dali. Parece-me que é uma péssima estratégia. E depois é uma boa nota pra André Ventura, porque goste-se ou não, de facto, tem um sentido de oportunidade política como poucos e transformou isto num debate de regime. E portanto, eu acho que André Ventura leva aqui um 14.
Vitor Matos, as tuas notas.
Olha, eu vou dar um sete ex aequo ao ministro Luís Neves e ao primeiro-ministro, aos Luíses, Luís Montenegro, porque isto vai-se tornar insustentável e quanto mais tempo o ministro estiver no governo, ainda há de vir a comissão de inquérito, portanto isto vai se prolongar se ele still ainda estiver lá.
Não acredito que possa aguentar tantos meses.
Vou dar um oito ao Presidente da República, porque este silêncio, esta falta de comparência não é saudável. A perceção que as pessoas têm sobre essa falta de comparência penso que não é saudável. E vai ter consequências isso também, para ele e para o sistema, até porque se capitaliza também o populismo. E por falar nisso, eu vou dar um 12 a André Ventura, um bocadinho menos porque depois acho péssimo o método, mas ele tem conseguido aproveitar isto em favor próprio. E, portanto, a minha pauta é esta.
António.
Engraçado, tu davas um 14 e um 12, eu estava a pensar: "Vou dar um 13 a André Ventura, não vou dar a mais ninguém", porque de facto já ganhou. Depois não sei, e não dou mais por causa disso, não sei como é que isto se vai materializar eleitoralmente e nós quando olhamos pra trás para as eleições presidenciais, percebemos quais são os limites do André Ventura do ponto de vista eleitoral. Mas a verdade é que já conseguiu o seu objetivo. Aliás, duplo, porque deixou o PS também numa situação difícil, por inabilidade do PS no início de tudo isto, e põe o governo e o primeiro-ministro numa situação em que se o deixar É ótimo para André Ventura, porque tem sempre alguém para castigar. Se o deixar cair neste contexto, obviamente que vai reclamar e reivindicar o mérito desta decisão. Portanto, já ganhou antes de ir a jogo, se quer, porque ainda não temos moção de censura, não temos CPI e já ganhou. Portanto, vai um 13 para André Ventura.
António, queres falar dos combustíveis?
Quero.
Esta segunda-feira aumentaram, não sabias?
Aumentaram. Ouvi dizer que sim. Eu devo dizer que agora tenho carro elétrico.
Ah, tu és desses.
Rendi-me aos elétricos e não rendi aos elétricos na semana passada. Já tinha rendido há uns meses. Mas isto para dizer duas coisas. Devo dizer, a ministra do Ambiente vai dar uma conferência de imprensa.
Exatamente, agora às 17h00.
Às 17h00, sobre política de combustíveis. Não tenho a informação privilegiada sobre o que vai ser a conferência de imprensa, mas tendo em conta que é a ministra do Ambiente e não o ministro das Finanças ou o secretário de Estado das Finanças, não vai ser sobre os subsídios fiscais aos combustíveis. Eu admito que traga uma matéria que já devia ter trazido antes, e o governo chega muito tarde nisto, porque já se sabe disto há muito tempo, que é que medidas é que estão a ser tomadas para eletrificar o país. Urgentes. As notícias vão-se sucedendo e às vezes parece que não tem nada a ver uma coisa com a outra, mas tem. Nós temos dezenas de projetos de investimento, empresas portuguesas, empresas estrangeiras, nas eólicas, nas renováveis, no solar, que estão parados por causa da APA, por causa de uma série de institutos. E depois queixamo-nos que dependemos tanto dos combustíveis fósseis. Ora, vamos lá ver, eu percebo o governo, quando isto chega a estes valores, é muito difícil dizer a quem não tem alternativa nenhuma, não faz nada. Não pode não fazer nada. Mas continuamos com a política errada. É uma política que passa bem no sentido em que mostra que o governo está a fazer alguma coisa, mas realmente não serve para nada. Esta semana são mais três cêntimos de subsídio indireto, na prática, é um desconto no ISP.
Três cêntimos é o desconto.
É o desconto. Próxima semana, em função do preço. Andamos nisto. Quando, na verdade, o governo devia fazer duas coisas, porque o dinheiro é de todos os contribuintes que pagam isto, era concentrar os apoios ao rendimento, quem não tem rendimento para aguentar o preço que está a ser pago. Esse é um ponto. Sim, ouço os agricultores, atividades económicas, os transportes, e é seguramente preciso alguma política especial setorial, temporária, mas é preciso acelerar medidas urgentes para que o país use mais eletrificação e use menos combustíveis. Andamos há quatro anos nisto. Isto é, há quatro anos. Esta semana houve um recorde de aumento do preço dos combustíveis como já não se via desde 2022. Nós passamos do primeiro choque, do pico do choque da guerra na Ucrânia, para o pico do choque da guerra no Irão. E continuamos a discutir subsídio, isenção, um desconto para cá, um desconto para lá, quando, obviamente, não é possível ter essa política ad eternum, porque não resolve nada e depois tem um efeito perverso, por muito desagradável que isto seja. O preço é um fator importante para calibrar incentivos. Isto é, se o preço está muito alto, isto deve-nos a todos, coletivamente, levar a fazer outras opções. Enfim, trago aqui o caso pessoal, que é irrelevante para o caso. Obviamente que eu fui atrás de um incentivo, que é muito caro andar com carro a gasolina de combustão, é preferível andar de carro elétrico. Ora, o governo devia aproveitar este momento para apoiar os mais desfavorecidos no rendimento, não no preço do combustível, e para acelerar todas as medidas que pudessem ser aceleradas, mas acelerar mesmo com caráter de urgência, para que haja alternativas do ponto de vista transversal à economia e à sociedade, para que se possa usar outras fontes de energia. Eu tenho alguma expectativa e espero, tarde e a más horas, mas que a ministra apresente hoje aqui esta tarde algumas dessas medidas que acabem com esta ideia, que é uma mistificação e uma ilusão, de que é possível andar a subsidiar o preço. E se nós chegarmos à conclusão de que este é o novo normal, que o preço dos combustíveis vai ficar assim nos próximos dois, três ou quatro anos.
Já não irá baixar muito. Mesmo que a guerra acabe agora.
Não vai baixar logo, mesmo que a guerra acabe, por uma razão simples que não tem a ver exatamente com o-
Mantenha-se um certo patamar.
Às vezes nós, mesmo na comunicação social, devo dizer, às vezes não prestamos um grande serviço do ponto de vista pedagógico. E às vezes acontece, temos notícias e dizem: "O preço do petróleo baixou." Depois vai-se ver e aparece no posto sobe. E diz: "Ah, que del-rei, andam todos a roubar", para não dizer outra coisa. Eu digo assim: vamos lá ver, quando se destroem refinarias, a produção, produto refinado, é muito menor e a procura é muito maior, porque há muita gente a querer criar stock, reservas para se proteger disto. É evidente que sim, quem tem refinarias ganha mais dinheiro. Com certeza. Vamos imaginar. Imagina tu. Há uma crise total nas rádios em Portugal. Espero que não.
Espero que não.
Só sobrevive a Rádio Observador. Isto vai ser uma aná. Fazia sentido trazer aqui um imposto extraordinário para a Rádio Observador, porque é a única que ganha dinheiro, porque é a única que tem o negócio que toda a gente quer neste momento. Não faz sentido. Faz sentido que o governo crie alternativas.
Queres dar já a tua nota só para ouvir ainda rapidamente?
Eu quero dar um 11. Olha, eu dou um 10 ao governo, porque é a resposta mínima.
Para gerir este processo político.
Tu queres ir ao barril ainda?
Não, eu ia passar já para o meu tema, porque entroncava aqui.
Então deixa-me só dar aqui, que a Judite gosta sempre de falar sobre estas coisas de combustível.
Adoro. Eu concordo plenamente com aquilo que diz o António e acrescento apenas que fazer tudo para que seja possível deixar o automóvel de combustão era, por exemplo, haver pontos carregadores. Há pouquíssimos.
Eu falo por experiência própria. Já há mais, mas há menos do que deveriam existir.
Mas há poucos, não chegam.
Sobretudo, há muitos no litoral.
No litoral, sim.
Se vais para dentro, já é um problema, de facto. É um problema mesmo.
Mas mesmo na cidade de Lisboa, há alturas em que as bombas de gasolina estão cheias com automobilistas a carregar e tu não tens carregadores suficientes na rua.
Sim.
E isso, por exemplo, para mim, é um desincentivo à compra de um carro elétrico. E portanto, eu acho que fazer tudo é fazer mesmo tudo e ser rápido a licenciar os postos carregadores, rápidos e que funcionem, que também é uma coisa importante. Outro dia encontrei uma série de postos que diziam: "Em espera até funcionamento." Pronto.
Ou seja, enquanto não estiver arranjado, está avariado.
Está avariado.
Vítor, como é que isto entronca com o Serviço Nacional de Saúde?
Entronca no seguinte: nós fizemos um exercício hoje lá, parece que foi pensar um bocadinho o que é que nós estaríamos-- fizemos exercício na comissão política, que só sai amanhã, portanto vou aqui cometer-
Isto é um podcast do Expresso.
A ser vendido num podcast do Observador.
Não é mau.
Não. Isto é basicamente pensar-
Boa petição
...que é fazer aqui o raciocínio ao contrário, que é: o que nós estaríamos a debater hoje se não fosse o caso Luís Neves a tapar isto tudo? Eu até tinha tido a ideia de um título para isto que era o Luís Neves a fazer um eclipse à ministra da Saúde. E em vez de estarmos a discutir a questão dos combustíveis, o investimento em defesa, as pensões de reforma no futuro, se o ano letivo vai começar sem os problemas que houve nos exames, ou a questão que mais preocupa os portugueses, neste momento, não sei se é antes, se é depois da questão do custo de vida, que é a questão da saúde. E hoje o Observador tinha uma história interessante, que é a história de uma experiência de uma pessoa, deve ser a história da experiência de muita gente. Eu este ano recorri várias vezes ao SNS e apesar de ser muito bem tratado pelas pessoas que estavam lá dentro, o sistema funciona muito mal.
Neste caso...
A história é um homem que esteve 36 horas à espera no Hospital Amadora-Sintra por ser amarela e foi para lá com um problema que seria eventualmente um AVC.
Um sintoma que poderia anunciar AVC. Primeiro a mulher ligou, esteve 40 minutos à espera que a linha Saúde 24 o atendesse, depois foi encaminhado.
Esqueceram-se dele lá.
Esqueceram-se deste senhor. Ficou esquecido.
Esse é um caso, deve haver milhares, centenas de casos complicados no SNS, mas isto para referir aqui que o governo publicou o quadro global de referência do Serviço Nacional de Saúde para 26, 28, onde não muda nada na questão do médico de família. Portanto, 15% dos utentes continuarão sem médico de família até 2028, que é a situação que basicamente temos neste momento. E o AD prometeu na campanha eleitoral que em 2025 toda a gente teria médico de família. E o próprio quadro anterior dizia que chegávamos a este ano a 98%. E os dados relativos a 2025 dão 50% dos doentes à espera de cirurgia, para além do tempo recomendável do ponto de vista médico, entre outros problemas semelhantes no caso das consultas médicas. Quer dizer, temos aqui um problema seríssimo, em que a realidade desconstrói aquilo que é as boas intenções ou a propaganda eleitoral. E depois, quando chega o momento, as coisas não melhoram ou pioram. E portanto, há aqui matéria para pedir resultados ao governo e responsabilidades ao governo. E devia ser isto que nós andávamos a discutir e não se o ministro contratou empreiteiro ou desempreitou. Não interessa, quando estamos a divergir desta. Por isso é que eu acho que podemos conspirar um bocadinho, criar aqui. Então, será que estar a discutir Luís Neves será pior ou melhor para o governo do que estar a discutir estes assuntos? Não sei. Deixo cada um a pensar.
Deixo no ar. E a tua nota, Vítor?
Não, a minha nota, eu vou dar um seis à ministra, já não vou para o sete, nem para o oito, nem para o nove, nem nada disso, porque eu acho que já não há volta a dar. É um dos ministérios que parece já há muito tempo que devia também ter sido mudado.
E o António Costa ainda quer acabar com uma nota de otimismo.
Olha, estamos aqui no "O Vencedor É". Eu vou dar um 18 à Nova SBE, ainda por cima envolta em tantas críticas, infelizmente, senão levávamos outro programa, mas porque saíram esta semana um dos rankings mais importantes e conceituados do mundo, do Financial Times, e um dos cursos de Mestrado em Gestão Internacional da Nova chegou ao segundo lugar do ranking. Vamos lá ver. Eu não sou daqueles que alinha na ideia simples que os rankings são o princípio, o meio e o fim da qualidade de uma escola ou de um curso em particular. Mas, na verdade, eles têm a sua relevância no processo de avaliação que os alunos e que os professores fazem quando têm que escolher escola ou para estudar ou para lecionar. Quando temos uma escola como a Nova SBE competindo com as melhores escolas do mundo, tem um mestrado em Gestão Internacional.
Que está à frente do INSEAD.
Sim, neste ano ficou à frente do INSEAD e de outras escolas, ficou em segundo lugar. De facto, isto merece um 18. Olha, se calhar, perguntamos, e atenção, eu liberal me confesso, é uma escola pública, a Nova SBE é uma escola pública, às vezes não parece, mas é possível ter uma boa escola pública. Não é boa, é muito boa, porque também tem regras que lhe permitem gerir e contratar dos melhores professores no mundo, obviamente, com regras muito adaptadas ao que é o mercado privado neste setor.
E amanhã mais "E O Vencedor É?", pela fresca, nas manhãs 360, depois das 08h30, com o José Manuel Fernandes, o Paulo Ferreira, o Bruno Vieira Amaral e amanhã junta-se o Rui Pedro Antunes.
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