Jamaica pede reparação histórica ao Reino Unido pela escravidão

Jamaica pede reparação histórica ao Reino Unido pela escravidão
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Category: Politics
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Justine Fontaine, da RFI, em Paris Em sua solicitação, o país caribenho apresenta três questões: o tráfico de africanos para a Jamaica era considerado legal à luz do direito britânico? Era legal à luz do direito internacional? O Reino Unido deve, portanto, conceder reparações em consequência disso? O rei Charles III deverá decidir em seguida se encaminha ou não o pedido ao Conselho Privado, órgão responsável por assessorar juridicamente a Coroa e que continua sendo a mais alta instância judicial para alguns países da Commonwealth. 'Recebemos um mandato do Parlamento, aprovado por unanimidade e com apoio de todo o espectro político, para pedir reparações', explicou a ministra jamaicana da Cultura, Olivia Grange. 'Isso é histórico para a Jamaica', afirmou. Entre os séculos XV e XIX, cerca de 12,5 milhões de africanos foram sequestrados, deportados para as Américas e submetidos a trabalho forçado e à escravidão. Com a abolição, os proprietários foram indenizados, mas não as pessoas escravizadas. A Jamaica ainda sofre as consequências da escravidão, sobretudo no aspecto econômico, o que afeta sua capacidade de responder à crise climática e às outras crises contemporâneas, segundo Kingston. Não há garantias de que o rei encaminhe o pedido da Jamaica ao Conselho Privado. No entanto, qualquer que seja a decisão dele e da Justiça britânica, 'isso já será positivo para os jamaicanos', avalia Robert Beckford. Pesquisador de origem jamaicana baseado em Birmingham, ele trabalha com a questão das reparações há mais de 25 anos. 'Mesmo que o rei não leve o pedido em consideração, a Jamaica poderá dizer: 'Se o monarca não consegue responder a uma das questões mais importantes para os negros do Caribe, da América do Norte e da Europa atualmente, talvez ele não mereça ser nosso rei'', afirma. Isso porque o rei Charles III continua sendo o chefe de Estado da Jamaica, apesar da independência do país. 'Como a Jamaica está discutindo uma lei para se tornar uma República, isso fortaleceria a posição dos que desejam que o país deixe de ser uma monarquia', prossegue o pesquisador. Esse pedido de reparações feito à Justiça britânica não é a primeira iniciativa de Kingston nessa área. 'A Jamaica desempenha um papel de liderança nessa questão' há quase um século, confirma Robert Beckford, ele próprio descendente de pessoas escravizadas. O pesquisador cita Marcus Garvey, jamaicano que imigrou para os Estados Unidos em 1916, considerado o pai do movimento Black Power e um dos precursores do pan-africanismo. Garvey defendia, por exemplo, que o Ocidente tinha uma dívida com a África e com os descendentes de africanos no Caribe por causa da escravidão. A Jamaica também liderou uma campanha por meio da Caricom, a Comunidade do Caribe, 'para elaborar um plano de dez pontos para reparações, destinado à indústria, aos bancos, às igrejas e ao governo britânicos', explica o pesquisador. Essa luta é conduzida ao lado de outros países do Caribe, incluindo o Haiti, mas também de países africanos, como Gana, que apresentou em março uma resolução à ONU para proclamar a escravidão como um dos mais graves crimes contra a humanidade. O texto foi amplamente aprovado em março. O Reino Unido e os países-membros da União Europeia se abstiveram. NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas. Acompanhe todas as notícias internacionais baixando o aplicativo da RFI

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