O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a fabricante canadense de jatos executivos Bombardier não poderá mais vender suas aeronaves no mercado americano caso não passe a produzir os aviões dentro dos Estados Unidos.
Entenda:
Com novo tarifaço de Trump:
'NíO HAVERÁ MAIS VENDA DE BOMBARDIER NOS ESTADOS UNIDOS! Os produtos deles não são bons o suficiente!', escreveu Trump em uma publicação na rede social Truth Social. "Se eles querem o nosso mercado, devem produzir aqui e parar de tratar a América como um 'porquinho-cofre'", acrescentou o presidente dos EUA.
Trump fez a publicação em meio ao agravamento da disputa comercial entre Estados Unidos e Canadá, parte da ampla política tarifária adotada pelo presidente americano em seu segundo mandato. As medidas, que atingem praticamente todo o comércio global, vêm provocando críticas de diversos parceiros comerciais dos EUA.
A reação ocorre enquanto o primeiro-ministro Mark Carney tenta responder às novas taxas comerciais impostas ao país pelo presidente americano.
A Casa Branca não respondeu até a publicação da reportagem aos pedidos de esclarecimento sobre como Trump pretende implementar a medida ou quais seriam os mecanismos para impedir a entrega de jatos da Bombardier. O governo canadense também não se manifestou. As aeronaves já foram certificadas pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA).
'Esqueça Airbus e Boeing':
Os aviões da fabricante canadense também estão em conformidade com o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA), cuja implementação contou com o apoio de Trump.
O que diz a empresa
A Bombardier afirmou, em comunicado divulgado na noite de segunda-feira, que desempenha um papel importante no setor aeroespacial dos Estados Unidos e mantém funcionários em mais de 20 estados, incluindo Texas, Arizona e Flórida. As asas de seu jato executivo mais rápido são produzidas em Red Oak, no Texas, enquanto componentes dos sistemas de controle de voo são fabricados na região de Los Angeles.
'Nosso plano é continuar investindo em nossos funcionários, em nossos clientes e nas comunidades onde atuamos em todo o país', disse a empresa, referindo-se aos Estados Unidos.
A empresa informou ainda que deverá inaugurar, neste ano, uma nova unidade em Fort Wayne, no estado de Indiana.
Cabine de luxo, asas futuristas e tecnologia inédita:
'Os aviões da Bombardier geram dezenas de milhares de empregos nos Estados Unidos, tanto por meio da crescente presença da empresa no país quanto de sua cadeia de fornecedores, formada por aproximadamente 2.800 empresas americanas espalhadas por 47 estados. A companhia desembolsa mais de US$ 2,5 bilhões por ano com fornecedores', afirmou a Bombardier em comunicado enviado por e-mail, sem mencionar Trump nominalmente.
O setor aeroespacial, em grande medida, passou incólume pela guerra tarifária promovida por Trump. Até o momento, o fluxo de peças e aeronaves não foi afetado pelas tarifas. Segundo a Aerospace Industries Association, entidade que representa a indústria aeroespacial americana, o setor de aeroespacial e defesa dos Estados Unidos registrou um superávit comercial de US$ 109,2 bilhões, enquanto as exportações cresceram 25% em 2025, na comparação anual.
Assim como a indústria automobilística americana, que depende da fabricação de peças no país vizinho, o setor aeroespacial é altamente integrado entre os dois países.
Uma medida do governo Trump contra a Bombardier poderia trazer consequências para os fabricantes americanos que integram a cadeia de fornecedores da empresa.
A Bombardier, que é rival histórica da brasileira Embraer, tem mais de 2.800 fornecedores nos Estados Unidos, distribuídos por 47 estados, segundo afirmou no ano passado o CEO da companhia, Eric Martel. Mais da metade dos custos do jato Global 7500 da Bombardier, por exemplo, está ligada à produção americana. As asas são fabricadas no Texas, os sistemas aviônicos em Iowa e os motores em Indiana, mas a montagem e o acabamento são realizados no Canadá.
A Bombardier também possui uma divisão de defesa, com uma fábrica no Kansas onde prepara aeronaves produzidas no Canadá para missões especiais. Cerca de metade da frota de 5.100 aeronaves operadas pelos clientes da Bombardier está localizada nos Estados Unidos.
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