O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira a inclusão de 27 companhias aéreas iranianas e de uma série de outras entidades na lista de sanções, em uma nova etapa do esforço para isolar economicamente Teerã. A medida ocorre em meio à intensificação dos ataques promovidos pelo Irã e seus aliados na região do estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo, e amplia a pressão sobre os preços da commodity em um cenário de guerra que já atravessa mais de seis meses. A ação integra a chamada 'Operação Economic Outcast' e atinge agora todas as companhias aéreas iranianas que ainda não estavam sob sanções, fechando um cerco que vinha sendo construído gradualmente.
Em comunicado oficial, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, advertiu que qualquer empresa ou pessoa física que mantenha negócios com as aéreas remanescentes do Irã corre o risco de ser excluída do sistema financeiro global. A declaração tem peso simbólico relevante em um momento em que Washington tenta demonstrar que a campanha de pressão econômica contra o Irã começa a produzir resultados concretos. Ainda assim, os efeitos práticos das sanções sobre a economia iraniana permanecem incertos, especialmente diante da falta de indicadores consistentes apresentados pelo próprio Tesouro para comprovar o impacto da estratégia.
Operação Economic Outcast e a estratégia de asfixia financeira
O plano de sanções, apresentado publicamente em 24 de agosto como uma espécie de 'Dia D econômico' contra o Irã, tem combinado ameaças amplas com medidas pontuais. Até agora, a administração americana concentrou esforços em cortar as fontes de receita do regime iraniano e em punir instituições financeiras que mantenham vínculos com Teerã. No fim de agosto, o Tesouro mirou uma filial nos Emirados Árabes Unidos de um banco egípcio por seus laços financeiros com o Irã. Na sexta-feira, a vez foi de um banco turco, classificado como o 35° maior do país, segundo dados do portal TheBanks.eu.
As sanções anunciadas agora se somam a autorizações anteriores que já permitiam ao governo americano atingir o setor de aviação iraniano. A Mahan Air, por exemplo, já estava designada havia anos por supostamente apoiar atividades terroristas do Irã, conforme destacou um funcionário do Tesouro em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira. O novo pacote também encerra na prática todas as licenças relacionadas à aviação que autorizavam empresas americanas ou outras entidades a manter algum tipo de engajamento com o Irã, eliminando brechas que ainda podiam ser exploradas.
O papel do estreito de Ormuz no xadrez energético global
O estreito de Ormuz, por onde passa parcela significativa do petróleo consumido no mundo, tornou-se um dos principais pontos de estrangulamento do conflito. A capacidade do Irã de restringir a passagem de navios pela região tem contribuído para a escalada dos preços do petróleo e conferido a Teerã uma alavanca de negociação que ajuda a explicar o impasse em que a guerra se encontra há meses. O presidente Donald Trump insiste que os Estados Unidos, e não o Irã, têm o controle da via navegável, e sua administração rebate relatórios de empresas de rastreamento de navios que indicam que o fluxo de travessias está bem abaixo dos níveis anteriores ao conflito.
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