Projeto gratuito transforma vidas com arte, profissão e solidariedade em Araçatuba

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Category: Entertainment
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Nas noites de segunda-feira, quando boa parte da cidade começa a desacelerar depois de mais um dia de trabalho, um salão no bairro Alvorada, na zona leste de Araçatuba (SP), ganha outro movimento. Em vez do silêncio, surgem conversas, risadas, desenhos, acordes de violão, movimentos diante do tabuleiro de xadrez e o som das ferramentas usadas para aprender uma profissão. É ali, no salão da Paróquia Divino Espírito Santo, que o conhecimento passou a circular de forma gratuita entre crianças, jovens e adultos de diferentes bairros da região. O espaço foi cedido pelo padre Edgar Souza Lima, responsável pela paróquia, como forma de contribuir com iniciativas sociais e culturais voltadas à comunidade. O responsável pela criação do Projeto Artes é o educador e pesquisador Wilson Barbosa Alves (foto abaixo). A iniciativa nasceu a partir de uma experiência acadêmica durante seu mestrado em Arquitetura e Urbanismo no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. O que começou como pesquisa ganhou, em Araçatuba, uma dimensão que ultrapassou os limites de uma sala de aula e se transformou em uma ação comunitária. Desde 2022, aproximadamente 300 alunos já passaram pelo projeto. A proposta é simples, mas carrega uma dimensão que vai muito além do ensino de uma técnica: oferecer oportunidades para que pessoas da comunidade possam descobrir habilidades, aprender uma profissão, cuidar da saúde, conhecer manifestações culturais e encontrar novos caminhos. As atividades do Projeto Artes acontecem todas as segundas-feiras, das 17h30 às 21h. Uma escola construída pelo voluntariado Não existe mensalidade, taxa de inscrição ou cobrança pelo material. O projeto funciona graças a uma espécie de corrente formada por pessoas que oferecem aquilo que sabem fazer e por parceiros que ajudam a colocar a iniciativa em funcionamento. Os professores são profissionais que reservam parte do próprio tempo para ensinar. Os materiais utilizados nas atividades também são obtidos de maneira voluntária, muitas vezes pelos próprios monitores, que procuram doações e alternativas para manter as aulas. Entre os parceiros está o Supermercados Rondon, que semanalmente fornece alimentos utilizados nas atividades relacionadas ao reaproveitamento de alimentos e à vida saudável. O modelo faz com que o projeto dependa menos de estruturas formais e mais de uma rede de pessoas dispostas a colaborar. É uma construção coletiva em que cada contribuição, por menor que pareça, ajuda a manter abertas as portas daquele salão. Profissão que pode mudar uma trajetória Entre as atividades oferecidas está o curso de barbearia, destinado a alunos com mais de 15 anos. Atualmente, uma turma com cerca de dez estudantes participa das aulas ministradas pelo barbeiro Fábio Fornagero. Mais do que ensinar cortes, técnicas e cuidados, Fábio acredita que a atividade pode representar uma possibilidade concreta de futuro para os jovens. 'É muito importante a gente construir essa nova perspectiva junto com esses jovens', afirma. A frase resume uma das principais características do Projeto Artes: a tentativa de transformar o aprendizado em perspectiva. Para muitos participantes, uma habilidade adquirida pode significar uma profissão. Uma profissão pode representar renda. E a renda, por sua vez, pode abrir portas que antes pareciam distantes. É nesse ponto que o projeto deixa de ser apenas uma iniciativa de cursos gratuitos e passa a funcionar também como instrumento de inclusão social. Arte, saúde e conhecimento dividem o mesmo espaço A variedade de atividades oferecidas ajuda a explicar o alcance da proposta. Atualmente, o Projeto Artes mantém cursos de desenho livre, barbearia, design de sobrancelhas, xadrez infantil, biorressonância e plantas medicinais, massoterapia, vida saudável, alimentação adequada, reaproveitamento de alimentos, viola caipira e violão. As atividades têm públicos diferentes. A barbearia, por exemplo, recebe alunos a partir dos 15 anos, assim como o curso de design de sobrancelhas e as atividades relacionadas à biorressonância e plantas medicinais. Já o xadrez infantil é destinado a crianças de 6 a 12 anos. A proposta reúne, no mesmo espaço, formação profissional, expressão artística, cultura popular, lazer e conhecimentos relacionados ao bem-estar. A viola caipira e o violão aproximam os participantes da música. O desenho estimula a criatividade. O xadrez trabalha raciocínio e concentração. Os cursos profissionalizantes podem abrir caminhos para o mercado de trabalho. Não há uma única porta de entrada. Cada aluno pode encontrar uma atividade de acordo com sua idade, interesse ou necessidade. Capoeira amplia atuação na zona leste A atuação do projeto também se estende para além das segundas-feiras. Em parceria com a Associação Ginga que Educa, são realizadas aulas de capoeira às quartas e sextas-feiras, das 19h às 21h, também no bairro Alvorada. A atividade amplia o caráter cultural e comunitário da iniciativa e reforça a presença do projeto na região. Com isso, o Projeto Artes procura alcançar moradores de diferentes bairros da zona leste de Araçatuba, criando uma rede de atividades que não depende de um único curso ou de uma única faixa etária. Um espaço cedido para a comunidade A existência do projeto também está diretamente ligada à disposição da Paróquia Divino Espírito Santo em abrir as portas para a iniciativa. O salão cedido pelo padre Edgar Souza Lima tornou-se o ponto de encontro de professores e alunos. A decisão de disponibilizar o espaço representa uma das peças fundamentais para que as atividades possam ocorrer sem custos para os participantes. Em uma cidade onde iniciativas sociais frequentemente esbarram na falta de locais adequados, ter um espaço disponível significa muito mais do que possuir quatro paredes. Significa ter onde reunir pessoas, compartilhar conhecimento e construir vínculos. A ideia que saiu da universidade e chegou à comunidade Para Wilson Barbosa Alves, a origem acadêmica do projeto não ficou presa aos livros ou às discussões universitárias. A experiência de pesquisa no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro ajudou a formar a base de uma proposta que, anos depois, ganhou vida própria em Araçatuba. O educador e pesquisador encontrou na realidade da zona leste da cidade um território onde conceitos relacionados à formação, à arte, à técnica e à valorização do trabalho poderiam ser colocados em prática. O resultado é uma iniciativa que procura recuperar uma ideia antiga, mas ainda atual: ensinar não apenas para transmitir conhecimento, mas para ampliar possibilidades. Projeto também vai virar livro A trajetória da iniciativa deverá ganhar um novo capítulo no final deste ano, quando Wilson Alves pretende lançar um livro sobre o Projeto Artes. Intitulado 'Projeto Artes', o livro contará a trajetória do educador e pesquisador e apresentará o caminho percorrido desde a inspiração acadêmica até a criação da iniciativa social em Araçatuba. A obra também retoma a história do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, instituição criada no século XIX, estabelecendo relações entre a experiência histórica da educação artística e técnica e a proposta desenvolvida atualmente na zona leste da cidade. O livro pretende discutir temas como educação, arte, capacitação profissional, trabalho manual e cidadania. Mais do que contar como o projeto nasceu, a obra propõe uma reflexão sobre o papel da educação na transformação da vida das pessoas e sobre a importância de valorizar conhecimentos que podem ser utilizados tanto para a expressão artística quanto para a construção de uma profissão. Na visão apresentada pelo autor, arte e técnica não são caminhos separados. Ambas podem contribuir para a formação de cidadãos mais preparados para compreender seu espaço e intervir nele. Quando ensinar também é um ato de solidariedade O Projeto Artes nasceu de uma pesquisa, encontrou abrigo em uma paróquia e cresceu pelas mãos de voluntários. Ao longo dos anos, cerca de 300 pessoas já passaram pelas atividades. Cada uma levou consigo alguma coisa: uma técnica, uma experiência, uma nova amizade, uma descoberta ou simplesmente a sensação de que havia um lugar onde seu interesse era levado a sério. Talvez esteja justamente aí a maior força da iniciativa. Em um mundo em que muitas oportunidades dependem de recursos financeiros, o projeto tenta construir uma alternativa baseada naquilo que cada participante e cada voluntário pode oferecer. Um professor oferece conhecimento. Um parceiro oferece alimento. Uma paróquia oferece espaço. Um aluno oferece disposição para aprender. E, quando essas partes se encontram, o salão da igreja deixa de ser apenas um local de encontros semanais. Passa a ser uma pequena escola comunitária, onde o futuro pode começar com um desenho, um movimento de capoeira, uma partida de xadrez, o som de uma viola ou o primeiro corte aprendido diante de um espelho. Como participar O Projeto Artes é gratuito e atende moradores da zona leste de Araçatuba. As atividades regulares acontecem às segundas-feiras, das 17h30 às 21h, no salão da Paróquia Divino Espírito Santo, no bairro Alvorada. As aulas de capoeira, realizadas em parceria com a Associação Ginga que Educa, ocorrem às quartas e sextas-feiras, das 19h às 21h. Mais informações podem ser obtidas diretamente com o professor Wilson Alves pelo telefone (18) 99772-5218.

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