A menos de um mês do primeiro turno, Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) abandonaram a fase de apresentação e caminham para a do 'dedo no olho' na propaganda eleitoral de televisão. O movimento é especialmente visível na campanha de Paes, que continua liderando a corrida pelo Governo do Rio, mas passou a dedicar espaço considerável de seu programa à desconstrução do adversário depois do avanço de Ruas nas pesquisas.
A mudança encontra respaldo nos números. Na série espontânea da Vetor Arrow, Ruas saiu de 3,8% em junho para 5% em julho, avançou para 6,2%, 7,3% e 8,4% nas três rodadas de agosto e chegou a 10,7% no início de setembro. Paes aparece com 26,5%. Já a Real Time Big Data colocou Paes com 35% e Ruas com 21%, consolidando o candidato do PL na segunda posição.
Programa chama Ruas de 'filhinho de papai' e que enriqueceu na política
O endurecimento ficou explícito no programa do candidato do PSD. A peça recupera a passagem de Ruas pela Prefeitura de São Gonçalo, administrada por seu pai, Capitão Nelson, sua atuação na Alerj e no governo Cláudio Castro e procura vinculá-lo politicamente a Rodrigo Bacellar e ao grupo que comandou o Estado nos últimos anos.
O ataque mais contundente, porém, foi direcionado ao patrimônio do candidato. 'Seu negócio é outro, é grana', afirma a propaganda de Paes, antes de dizer que Ruas teria se tornado dono de uma empreiteira que teria rendido R$ 15 milhões no ano passado. O programa questiona a origem dos recursos e por que, segundo a campanha do PSD, eles não teriam sido incorporados ao patrimônio declarado do adversário.
Afirma ainda que Ruas foi policial por apenas 3 anos para depois assumir cargos na gestão de seu pai, o Capitão Nelson, prefeito reeleito em São Gonçalo. O narrador o classifica como 'filhinho de papai' por causa disso. As acusações continuam lembrando que Ruas destinou para a cidade metade dos R$ 2 bilhões do orçamento da Secretaria das Cidades, ocupada por Ruas durante a gestão de Claudio Castro.
A propaganda também afirma que Ruas teria enriquecido justamente durante os oito anos em que ocupou cargos políticos e administrativos.
Ruas responde que tem 'zero de processos' e lista os de Paes
Ruas decidiu responder no mesmo tom. Em seu programa, afirmou que não responde a processos e contrapôs sua situação à de Paes. 'Respondo a zero processo. Nunca fui réu, nunca fui citado em delação', declarou.
Na sequência, a propaganda do PL apresentou uma contabilidade própria contra o adversário. Segundo Ruas, Paes teria '8 processos', sido citado em '11 delações', além de ter '6 investigações' e '3 denúncias'. 'Pode procurar, Eduardo. Você vai achar zero', afirmou o candidato do PL. Os números são apresentados pela campanha de Ruas e funcionam como contraponto direto às acusações feitas pelo PSD.
A batalha já extrapolou a televisão. Na sexta-feira (4), o TRE-RJ determinou a retirada de cinco peças da propaganda de Paes que, segundo a decisão liminar, ultrapassaram os limites da crítica eleitoral ao imputar fatos criminosos a Ruas sem respaldo probatório. Foi estabelecida multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
Crescimento muda estratégia da campanha
O aumento da temperatura coincide com a consolidação de Ruas como principal adversário de Paes. Pesquisa AtlasIntel também mostrou o candidato do PL em segundo lugar, com 27,6%, diante de 43,6% de Paes no cenário com Anthony Garotinho. Com a liderança preservada, mas diante de um adversário que avançou nas últimas semanas, Paes passou a combinar propostas com uma ofensiva para elevar a rejeição de Ruas. O candidato do PL, por sua vez, tenta transformar os ataques em oportunidade para colocar o histórico de Paes no centro do debate e se tornar mais conhecido do eleitorado.
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