*Por Renato Rovai
A decisão do ministro do STF André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal não pode ser lida como mais um episódio isolado envolvendo o Supremo, a PF ou a Procuradoria-Geral da República.
O movimento revela algo muito maior: uma disputa política que pode interferir diretamente nos rumos da eleição de 2026.
O ministro está disposto a tudo — a tudo –, seja para melar a eleição, seja para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Trata-se de um projeto político claro. Se Flávio não ganhar, Mendonça se torna a voz da oposição — o novo Sergio Moro, só que dentro do Supremo.
Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro seria acompanhada de uma forte base política no Senado, com governadores e parlamentares de direita e extrema direita. Essa composição poderia permitir, inclusive, alterações na Constituição.
Ao mesmo tempo, quatro ou cinco vagas no Supremo poderiam surgir durante um eventual governo de Flávio Bolsonaro, e assim Mendonça poderia construir uma maioria capaz de alterar profundamente a correlação de forças dentro da Corte.
É preciso contê-lo, objetivamente, democraticamente. Isso não significa defender Alexandre de Moraes de eventuais erros ou irregularidades que ele possa ter cometido como ministro do Supremo.
E o presidente Lula está nessa sinuca de bico.
Até porque, no Velho Testamento, Alexandre de Moraes foi muito importante para salvar a democracia — e isso é dele, ninguém tira. Em 2022–2023, ele matou no peito e segurou o golpe de Bolsonaro, que poderia ter nos levado a um momento terrível.
O problema é que o cenário atual poderia colocar o país diante de um novo risco. Se a estratégia de Mendonça for bem-sucedida, o Brasil poderia caminhar para uma situação semelhante à de El Salvador, com concentração de poder e avanço autoritário.
Juristas, jornalistas, dirigentes sindicais e movimentos sociais precisam prestar atenção ao que está acontecendo e se mobilizar em defesa da democracia.
O que está em jogo não é apenas quem ocupará a Presidência da República, mas também qual será a relação de forças entre Executivo, Legislativo e Supremo nos próximos anos.
É por isso que não há espaço para tratar o momento como uma simples briga institucional.
É guerra política. E o que está no centro dela é a democracia brasileira.
Renato Rovai é graduado em jornalismo pela Universidade Metodista, mestre em comunicação pela Universidade de São Paulo e doutorado em ciências humanas e sociais pela Universidade Federal do ABC. É professor de jornalismo digital na Faculdade Cásper Líbero e blogueiro.
Professor convidado do Centro Latino-Americano de Cultura e Comunicação da ECA-USP e diretor editorial da Revista Fórum. Militante da democratização da mídia, articulou o Fórum de Mídia Livre e do Encontro Nacional dos Blogueiros.
Trabalhou nos jornais Diário do Grande ABC, Diário de Minas, Diário Popular, TV Gazeta e Editora Globo.
Criou a editora Publisher Brasil, em 1994 e é sócio-diretor dessa empresa. Em 2001, lançou a Revista Fórum, no primeiro Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, a revista teve a sua versão impressa até o ano de 2013, a partir de 2014 a Revista Fórum passou a ser digital.
ATENÇíO: As opiniões emitidas neste texto não expressam, necessariamente, as do portal SRzd
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