Registros feitos pelo fotógrafo Thiago Soares , que acompanhava o desfile de 7 de Setembro na capital capixaba, mostram os manifestantes durante a mobilização, carregando bandeiras e ocupando as ruas da região central de Vitória.
O ato reuniu integrantes de movimentos sociais, sindicatos e outras organizações que foram às ruas para apresentar reivindicações e chamar atenção para questões sociais.
O Centro de Vitória recebeu, nesta segunda-feira (7), uma manifestação do Grito dos Excluídos e Excluídas , mobilização realizada tradicionalmente no Dia da Independência do Brasil.
Manifestantes cobram inclusão de comunidades quilombolas e povos tradicionais em medidas de reparação previstas no acordo de repactuação da Samarco
O Grito dos Excluídos e Excluídas chega, em 2026, à sua 32° edição. Com o tema permanente 'Vida em Primeiro Lugar!', a mobilização deste ano tem como lema 'Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!'.
A manifestação ocorre em diferentes estados brasileiros e reúne movimentos populares, sindicatos, pastorais, igrejas, entidades e grupos envolvidos em pautas sociais.
A proposta é utilizar a data da Independência para promover uma reflexão sobre as condições de vida da população, o acesso a direitos, a participação política e a construção de uma sociedade considerada mais justa, solidária e plural pelos organizadores.
Mulheres, terra e moradia estão entre principais pautas
Fotos: Thiago Soares/Folha Vitória
Na capital capixaba, a programação do Grito dos Excluídos começou na Praça Portal do Príncipe, em frente à Rodoviária de Vitória. A mobilização previa uma caminhada até o Palácio Anchieta.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) orientou suas entidades a participarem das atividades organizadas pelo Grito nos estados e municípios. Entre as reivindicações defendidas pela central está o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
Segundo Milton Rezende, conhecido como Miltinho, secretário nacional de Mobilização da CUT, a participação das entidades sindicais busca ampliar a pressão por mudanças nas relações de trabalho.
O lema escolhido para 2026 foi definido após debates realizados ao longo do ano pela rede de articuladores do Grito, presente em diferentes regiões do país. A organização realizou três encontros nacionais on-line para acompanhar as articulações e trocar experiências entre os estados.
A escolha das pautas deste ano busca colocar no centro do debate situações consideradas pelos organizadores como ameaças à vida, entre elas os conflitos por terra, a falta de moradia, a violência contra as mulheres, as guerras e as discussões relacionadas à soberania dos povos.
A expressão 'Mulheres Vivas' chama atenção para a violência contra as mulheres. De acordo com o material de preparação do Grito, mais de 1.500 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2025. A mobilização também relaciona o problema às desigualdades de raça, renda e gênero, que atingem de maneira mais intensa mulheres negras, periféricas, camponesas, indígenas e chefes de família.
A defesa da terra e da moradia é uma das principais pautas do Grito dos Excluídos em 2026. O movimento denuncia conflitos envolvendo indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e trabalhadores rurais.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra, foram registrados 1.593 conflitos no campo em 2025, com 26 mortes. Nas cidades, a mobilização também chama atenção para o déficit habitacional e as dificuldades enfrentadas por famílias de baixa renda.
A manifestação também defende a paz, a democracia e a soberania nacional, incluindo a proteção de recursos como água, terra e petróleo. A mobilização reúne 21 organizações, entre sindicatos, movimentos populares, pastorais e entidades sociais.
Origem do Grito dos Excluídos
O Grito dos Excluídos surgiu em 1994, inspirado pela 2° Semana Social Brasileira da CNBB e pela Campanha da Fraternidade de 1995. A primeira edição aconteceu em 7 de setembro daquele ano, com o lema 'A vida em primeiro lugar', como forma de promover uma reflexão sobre desigualdade e acesso a direitos.
Desde então, o movimento passou a realizar manifestações no Dia da Independência em diferentes regiões do país. Em sua 32° edição, o Grito defende que independência, democracia e soberania estejam ligadas à garantia de direitos e à melhoria da qualidade de vida da população.
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