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S íO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês) é uma avaliação internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Os resultados permitem comparar o desempenho educacional entre diferentes países e economias.
Organizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o estudo é realizado a cada três anos e avalia se os estudantes conseguem aplicar conhecimentos e habilidades para resolver problemas e lidar com situações do mundo real. O Brasil participa desde a primeira avaliação, em 2000.
A cada edição, uma das três áreas recebe maior ênfase, e os estudantes respondem a um número maior de questões sobre ela. Em 2022, o foco principal foi matemática. No Pisa 2025, ciências voltou a ser a área prioritária, como já havia ocorrido em 2006 e 2015. O exame trouxe uma subescala específica de alfabetização ambiental ("environmental science").
Pela primeira vez, o exame também avaliou a competência de aprendizagem no mundo digital, que mede a capacidade dos estudantes de resolver problemas com o uso de ferramentas computacionais. A edição ainda trouxe um módulo opcional de proficiência em inglês como língua estrangeira, aplicado a uma amostra separada de estudantes em 22 países.
O Pisa 2025 é a maior aplicação da história do programa, com 91 países e economias participantes, ante 81 na edição anterior. Entraram no grupo, entre outros, Armênia, Equador, Quênia, Ruanda e a Região do Curdistão, no Iraque.
O estudo envolveu 760 mil estudantes. O Brasil participou da pesquisa com 30.140 alunos.
Cada país tem um responsável local pela aplicação. No Brasil, essa função cabe ao Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), ligado ao Ministério da Educação. O QUE O PISA AVALIA?
O Pisa avalia um conjunto de habilidades e competências que a OCDE define como sendo as esperadas para estudantes ao fim do ensino fundamental. Assim, busca medir o quanto o jovem adquiriu de conhecimentos para uma participação plena na sociedade.
Em ciências, área prioritária do Pisa 2025, a prova coloca os estudantes diante de problemas e situações do mundo real. A partir deles, é preciso recorrer ao conhecimento científico para explicar fenômenos e avaliar possíveis respostas. As questões, por exemplo, exigem que o aluno examine como uma investigação foi realizada e interprete dados e evidências.
Em matemática, a prova não busca avaliar se o aluno aprendeu o uso de fórmulas ou conceitos, mas a capacidade de usar e interpretar a matemática para seu cotidiano.
Já em leitura, a prova avalia se os alunos adquiriram, por exemplo, a habilidade de compreender a informação principal de um texto ou fazer a análise crítica do que estão lendo. QUEM SíO OS ALUNOS AVALIADOS?
O Pisa avalia os estudantes de 15 anos dos diversos países analisados. A população avaliada tem como base sua idade, não uma série específica, porque os sistemas educacionais são diferentes –e alunos com a mesma idade estão em anos diferentes, dependendo da região.
A avaliação é feita aos 15 porque, nessa idade, em grande parte dos países, os alunos já concluíram o ensino fundamental. No Brasil, tipicamente eles estão no 1° ou no 2° ano do ensino médio. A amostra é feita para representar a população em termos socioeconômicos e participação da escola pública e privada.
Dos 30.140 estudantes brasileiros:
72,4% são de escolas da rede estadual 96,9% estudam em escolas em áreas urbanas 78,1% são de escolas localizadas no interior 84,7% estavam matriculados na 1° ou 2° série do ensino médio na época das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025 COMO É A AVALIAÇíO?
Na grande maioria dos países participantes, a prova é realizada inteiramente por computador e dura duas horas. O Pisa utiliza uma metodologia de teste adaptativo multiestágio, em que as questões apresentadas ao estudante podem se tornar mais adequadas ao seu nível de habilidade a partir das respostas dadas nos blocos anteriores.
Além da prova cognitiva, os estudantes respondem a um questionário de contextualização de cerca de 35 minutos. Os diretores das escolas também respondem perguntas sobre a gestão e o ambiente escolar.
Esses dados permitem relacionar o desempenho dos estudantes a fatores como nível socioeconômico, suporte da família, aspectos socioemocionais e características do ambiente escolar, como indisciplina, distrações digitais e bullying.
Os dados são usados pelos sistemas educacionais para identificar desigualdades e orientar políticas públicas. QUAIS SíO AS LIMITAÇÕES NA INTERPRETAÇíO DOS RESULTADOS?
O Pisa permite comparar o desempenho de estudantes de diferentes países e economias, mas, segundo especialistas, seus resultados não devem ser lidos como uma medida direta da qualidade de cada sistema educacional. A avaliação não segue o currículo escolar de cada país. Em vez disso, aplica um conjunto próprio de habilidades e competências definido pela OCDE.
Isso significa que uma posição mais alta ou mais baixa no ranking não explica, por si só, as causas do desempenho dos estudantes. Os resultados precisam ser analisados levando em conta as diferenças sociais e econômicas entre os países.
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