Imprensa europeia reage à vitória da AfD no leste alemão

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Category: Politics
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Partido está prestes a formar o primeiro governo de ultradireita na Alemanha do pós-guerra. Resultado na Saxônia-Anhalt é apontado como recado ao impopular governo de Merz e "teste decisivo" para a AfD. Destaque na imprensa europeia, o triunfo da Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt neste domingo (06/09) pode abrir o caminho para o primeiro governo de ultradireita no país desde a derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial. Até agora, o resultado preliminar aponta que a AfD, com 43,8% dos votos, terá 39 das 83 cadeiras do parlamento estadual — três a menos do que o necessário para emplacar sozinha seu governador, sem depender de alianças com outras siglas. Já os conservadores da União Democrata Cristã (CDU), partido do atual governador Sven Schulze e do chanceler federal Friedrich Merz, devem ficar com apenas 15 assentos — 25 a menos que na eleição anterior. Na Alemanha, que segue o sistema parlamentarista, os chefes de cargos executivos são eleitos pelo Legislativo. Na Europa, portais de notícias retrataram o resultado eleitoral como um recado ao governo federal, e destacaram que a AfD, longe de ser um fenômeno regional, também lidera pesquisas nacionais de intenção de voto. O jornal britânico destacou a "vitória retumbante" da AfD e o "resultado desastroso" para os conservadores da CDU de Merz. "Merz, até agora, não conseguiu cumprir suas promessas de resgatar a economia alemã ou deter o avanço da AfD, que vem registrando ganhos regulares e constantes desde que entrou no Parlamento em 2017 e hoje é o principal partido de oposição no Bundestag", afirma o Guardian. "Nas pesquisas nacionais, a CDU também foi ultrapassada pela AfD, que mira a vitória nas próximas eleições federais, em 2029 ou 2033." O jornal também elencou algumas das promessas da AfD que podem virar realidade caso o partido consiga formar um governo no estado: deportações, remigração e suspensão da construção de novas usinas eólicas. Nas escolas, estudantes voltariam a cantar o hino nacional, e bandeiras LGBTQ+ seriam proibidas. O slogan do estado também seria mudado de "pense moderno" para "pense alemão". Para a BBC, a vitória da AfD é um "alerta vermelho" dos eleitores que se sentem abandonados pelos partidos políticos tradicionais e instituições europeias. O site lembra que a Saxônia-Anhalt responde por apenas 1,7 milhão dos 59 milhões de eleitores no país, mas afirma que o resultado ali pode ser "o prego no caixão político" de Merz e de sua "combalida" coalizão de governo. A pressão sobre Berlim deve "enfraquecer e distrair ainda mais a Alemanha, o ator mais poderoso da União Europeia, em um momento de crise continental" com as pressões vindas de Rússia, Estados Unidos e China. O bloco estaria preocupado com a ascensão de siglas de ultradireita, com suas agendas nacionalistas e anti-imigração. O temor é de que elas prejudiquem a coesão da UE no momento em que ela mais precisa de união. O portal vê na eleição um "teste decisivo" para a AfD, que agora terá de provar que é capaz de governar. "O próprio partido deixa claro que vê a Saxônia-Anhalt como um modelo para suas ambições nacionais, utilizando o slogan: 'Tudo começa aqui'." As chances seriam boas em caso de apoio da Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), sigla populista fundada por uma ex-militante comunista de esquerda. O Politico destaca que a "vitória esmagadora" da AfD alimentou até mesmo especulações sobre uma possível saída de Merz da chefia do governo alemão. Mas atribui o sucesso da AfD menos às suas polêmicas — como a proposta de reduzir o ensino sobre o nazismo nas escolas — e mais à "ampla desconfiança em relação aos partidos tradicionais, à mídia e às instituições públicas no leste da Alemanha, região que esteve sob regime comunista durante a Guerra Fria". O alemão Bild associou a vitória da AfD a uma pesquisa que apontou a imigração e o medo de não conseguir pagar as contas como as principais preocupações de nove em cada dez eleitores. O tabloide alemão também destacou o papel de diferentes grupos de eleitores na vitória da AfD, como pessoas que não haviam votado na eleição anterior, ex-apoiadores da CDU e trabalhadores. Em outro artigo, o veículo questiona se o "cordão sanitário" — espécie de "régua moral" que afasta a CDU e outros partidos de uma coalizão com a AfD — já não se rompeu. "A CDU se vê agora diante de uma pergunta difícil: como lidar com a AfD? Isolá-la ou abraçá-la? Uma mudança já se insinua: pela primeira vez, políticos da CDU já não soam como se acreditassem que o cordão sanitário poderia deter a AfD. O partido do chanceler federal tenta ganhar tempo." A revista alemã escreve que a AfD pode até não ter conseguido maioria absoluta para governar de cara, mas se aproximou significativamente de "seu objetivo estratégico: destruir a CDU". "O resultado da eleição lança a CDU no caos", afirma o Spiegel, questionando se o atual governador, o conservador Sven Schulze, irá renunciar antes que os deputados escolham um novo governador. A revista também especula sobre uma possível debandada de parlamentares da CDU para a AfD e uma eventual aliança entre as duas siglas. "Será muito difícil formar um governo sem a AfD. Será um teste de estresse para o cordão sanitário; ou seja, para o acordo dentro da União (CDU/CSU) de não cooperar com a AfD nem com o partido A Esquerda. Também será um teste de estresse para a coalizão de governo em Berlim." "Pela primeira vez na história da República Federal da Alemanha, um partido classificado pelo Serviço Estadual de Proteção da Constituição como de extrema direita passaria a exercer poder governamental, com acesso à polícia, ao Judiciário e aos currículos escolares. O partido não deixou nenhuma dúvida de que pretende usar esse poder para remodelar profundamente o país. E que seus objetivos vão muito além da Saxônia-Anhalt. Um governo em Magdeburg seria apenas o primeiro passo na caminhada da AfD rumo ao poder federal, a uma nova Alemanha", escreve o Sueddeutsche Zeitung. O jornal britânico destaca que ainda que a AfD não consiga formar um governo na Saxônia-Anhalt, sua votação recorde expõe "a derrota da estratégia do 'cordão sanitário'". O resultado, escreve o FT, deve impulsionar a AfD nacionalmente antes das eleições regionais em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, em 20 de setembro. "Uma sequência de maus resultados ameaça enfraquecer ainda mais Merz, cujos índices de aprovação caíram a níveis recordes e cuja autoridade dentro de seu próprio partido vem se deteriorando." A AfD foi o partido mais bem votado na Saxônia-Anhalt desde a Reunificação Alemã, superando o recorde de 39% da CDU em 1990, informou o portal alemão Tagesschau. A eleição também teve recorde de participação do eleitorado (77,8%), superando até mesmo os 71,5% registrados em 1998. Fora da Saxônia-Anhalt, esse índice só foi superado em 1998 em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (79,4%), Sarre em 1994 (83,5%) e Berlim em 1990 (80,8%). ra (ots) --------- Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.

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