Uma nova imagem do Telescópio Espacial James Webb revelou uma estrutura cósmica que parece um gigantesco baú aberto entre as estrelas. Batizado de Treasure Chest, ou Baú do Tesouro , o objeto é uma nuvem de gás e poeira localizada na Nebulosa Carina, uma das regiões de formação estelar mais ricas da Via Láctea.
De acordo com a Live Science, a estrutura está a cerca de 7.500 anos-luz da Terra , na constelação Carina, conhecida como a Quilha. A nebulosa se estende por aproximadamente 260 anos-luz e abriga algumas das estrelas mais massivas da galáxia, além de dezenas de milhares de protoestrelas jovens.
O Baú do Tesouro é classificado como um glóbulo cometário , uma nuvem isolada formada por uma região mais densa e escura acompanhada por uma espécie de cauda. Apesar do nome estar relacionado à semelhança com cometas, sua aparência nesta imagem lembra mais um baú de madeira com a tampa aberta e uma luz surgindo de dentro. Um baú cheio de estrelas recém-nascidas O Telescópio Espacial James Webb da NASA capturou o 'Baú do Tesouro', um glóbulo cometário na Nebulosa Carina, em formadora de estrelas, em 6 de agosto de 2026
(Crédito da imagem: ESA/Webb, NASA e CSA, M. Reiter; Reconhecimento: M. H. Özsaraç)
A fonte desse brilho foi revelada pela Câmera de Infravermelho Próximo do James Webb. Dentro da nuvem existe um aglomerado compacto com cerca de 70 estrelas jovens , ainda envolvidas pela poeira.
Entre elas está uma rara estrela do tipo O , uma categoria formada por estrelas extremamente grandes, brilhantes e de vida curta. O astro mais massivo encontrado no aglomerado possui aproximadamente 19 vezes a massa do Sol .
Os astrônomos estimam que o aglomerado tenha cerca de 1,3 milhão de anos. Estimativas anteriores, porém, indicavam que ele poderia ter apenas 100 mil anos.
Muitas das estrelas ainda permanecem cercadas pelo gás e pela poeira que deram origem a elas. Com o passar do tempo, a radiação emitida pelos próprios astros deverá dispersar esse material, deixando expostas estrelas que atualmente permanecem escondidas.
A Nebulosa Carina também abriga os chamados 'Cosmic Cliffs' , ou Penhascos Cósmicos, que fizeram parte da primeira coleção de imagens científicas divulgadas pelo James Webb em 2022. Estrelas próximas ajudam a esculpir a nuvem
A aparência incomum do Baú do Tesouro também é influenciada por estrelas localizadas nas proximidades. A aproximadamente 39 anos-luz de distância , considerando sua posição no céu, está Eta Carinae, o objeto mais luminoso da Nebulosa Carina.
O sistema passou por uma 'Grande Erupção' no século 19 , quando se tornou temporariamente uma das estrelas mais brilhantes observadas no céu noturno da Terra. Ele contém pelo menos duas estrelas, incluindo uma com cerca de 100 vezes a massa do Sol e aproximadamente cinco milhões de vezes sua luminosidade.
Junto com o aglomerado estelar Trumpler 16, a intensa radiação e os ventos dessas estrelas atingem o gás menos denso do Baú do Tesouro , ajudando a moldar a estrutura em seu formato característico.
Mas a aparência do objeto não será permanente. A radiação e os ventos das estrelas jovens em seu interior, combinados à ação das estrelas massivas próximas, irão gradualmente desgastar o gás e a poeira restantes.
Com o tempo, o baú cósmico desaparecerá e deixará à mostra aquilo que hoje está escondido em seu interior: as dezenas de estrelas recém-nascidas que formam suas verdadeiras 'joias'.
*Sob supervisão de Éric Moreira
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