O envelhecimento populacional no Brasil mudou a forma como a sociedade enxerga a terceira idade, já que hoje, chegar aos 60 ou 70 anos significa, na maioria dos casos, manter a autonomia, a vida social e os relacionamentos. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2025 e 2026, divulgado pelo IBGE, apontam que cerca de dois em cada cinco brasileiros acima de 60 anos mantêm uma vida sexual ativa.
"À medida que as pessoas vivem mais e permanecem ativas, precisamos rever a premissa de que a intimidade pertence apenas à juventude. A saúde sexual, que envolve não apenas o ato, mas afeto e vínculo, passa a fazer parte de uma discussão muito mais ampla sobre qualidade de vida e envelhecimento saudável", afirma Tiago Negrão, urologista e professor de Medicina da UniCesumar de Maringá.
No entanto, essa realidade traz um desafio direto para a saúde pública: a prevenção. De acordo com o Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS, do Ministério da Saúde, o número de diagnósticos de HIV entre a população idosa cresceu 441% em uma década, e os levantamentos indicam que mais de 80% das relações nessa faixa etária ocorrem sem o uso de preservativo. A saúde sexual do idoso precisa deixar de ser invisível nos consultórios e nas famílias.
O peso do etarismo e o silêncio nos consultóriosA sexualidade na maturidade envolve afeto, autoestima e vínculo, mas seu exercício saudável esbarra no etarismo: o preconceito de que pessoas mais velhas não têm ou não deveriam ter desejos sexuais. Essa visão cultural, presente inclusive dentro das famílias, faz com que o idoso sinta vergonha de falar sobre sua intimidade, prejudicando o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado. "Isso faz com que muitas mudanças físicas sejam automaticamente atribuídas à idade e deixem de ser investigadas. Um homem que percebe piora na ereção ou uma mulher que sente dor podem concluir que isso é apenas o preço de envelhecer e não procuram ajuda", explica o urologista.
O médico ressalta que alterações na função sexual não significam apenas perda de desempenho. Elas podem ser sinais de alerta para doenças cardiovasculares, metabólicas, diabetes ou efeitos colaterais de medicamentos. "Na medicina, a idade é contexto, não é diagnóstico. O profissional de saúde corre o risco de não investigar um problema clínico quando parte do princípio de que a vida sexual daquele paciente não importa mais", completa Negrão.
O aumento das infecções sexualmentes transmissíveis e o foco exclusivo na gravidezO crescimento de casos de sífilis, HIV e outras infecções entre os idosos possui causas práticas, pois diferente dos jovens, essa geração foi muito menos exposta a campanhas de educação sexual focadas no uso contínuo de preservativos. Historicamente, a camisinha foi apresentada como um método contraceptivo. Quando o risco de gravidez desaparece após a menopausa, muitas pessoas abandonam a proteção.
"A ausência de risco de gravidez não elimina as chances de contrair o vírus do HIV, sífilis, gonorreia, hepatites e outras infecções. A retomada da vida amorosa após viuvez ou divórcios em idades avançadas é positiva, mas exige os mesmos cuidados tomados na juventude. O problema não é o idoso continuar ativo. O erro é manter uma vida sexual sem que a prevenção tenha acompanhado essa transformação", alerta o professor.
Como adequar o atendimento médico e mudar a culturaPara reverter o quadro de desinformação e reduzir as taxas de infecções sexualmentes transmissíveis, a abordagem nos consultórios precisa mudar. A saúde sexual deve entrar na avaliação clínica de rotina do idoso com a mesma naturalidade com que os médicos perguntam sobre qualidade do sono, alimentação e níveis de pressão arterial.
O passo inicial para o profissional de saúde é parar de presumir. Não se pode deduzir que um paciente deixou de ter vida sexual apenas porque é viúvo, solteiro ou tem mais de 70 anos. O assunto deve ser introduzido de forma técnica e objetiva, tirando do paciente o peso de ter que iniciar uma conversa considerada constrangedora. "Viver mais também significa aprender a cuidar da saúde sexual por mais tempo. Quando a orientação sobre prevenção aparece dentro da consulta, de forma natural e sem julgamentos, ela transforma o preservativo em algo simples: uma ferramenta básica de cuidado clínico e garantia de longevidade", conclui o professor da UniCesumar.
Sobre a UniCesumarCom mais de 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de cerca de 500 mil alunos. Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça). No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campi de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR). Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado. Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.
Fonte: Assessoria
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