, planeou e comandou a expedição marítima que efetuou a primeira viagem de
ao globo. Foi o primeiro a alcançar a
, a atravessar o estreito hoje conhecido como
, que nomeou. Fernão de Magalhães foi morto em batalha em
no curso da expedição, posteriormente chefiada por
, tendo encontrado no feitor da "
da cidade um adepto do projecto que entretanto concebera: dar a
Espanha a possibilidade de atingir as Molucas pelo Ocidente, por mares
não reservados aos portugueses no
e, além disso, segundo Faleiro, provar que as ilhas das especiarias se situavam no hemisfério castelhano.
conseguiram a aprovação do projeto por parte de
, e começaram os morosos preparativos para a viagem, cheios de incidentes; o cartógrafo de origem portuguesa
que começara a trabalhar para Espanha em 1518, na
participou no desenvolvimento dos
utilizados na viagem. Depois da ruptura com Rui Faleiro, Magalhães
continuou a aparelhagem dos cinco navios que, com 256 homens de
A esquadra tinha cinco navios e uma tripulação total de 234 homens,
com cerca de 40 portugueses entre os quais Álvaro de Mesquita, primo
, primo da mulher de Magalhães,
, primo ou irmão de Francisco Serrão e
escritor italiano que havia pago do seu próprio bolso para viajar com a
expedição, escreveu um diário completo de toda a viagem, possibilitado
pelo fato de Pigafetta ter sido um dos 18 homens a retornar vivo para a
Europa. Dessa forma, legou à posteridade um raro e importante registo
de onde se pode extrair muito do que se sabe sobre este episódio da
. Prosseguindo para o sul, atingiram
à entrada do estreito, na extremidade da atual costa da
. Irrompeu então uma revolta que ele
conseguiu dominar com habilidosa astúcia. Após cinco meses de espera,
período no qual a "Santiago" foi perdida numa viagem de
reconhecimento, tendo os seus tripulantes conseguido ser resgatados,
Magalhães encontrou o estreito que hoje tem o seu nome, aprofundando-se
nele. Noutra viagem de reconhecimento, outra nau foi perdida, mas
desta vez por um motim na "San Antonio" onde a tripulação aprisionou o
seu capitão Álvaro de Mesquita, primo de Magalhães, e iniciou uma viagem
(realmente estes completaram a viagem, espalhando ofensas contra Fernão de Magalhães na Espanha).
Apenas em Novembro a esquadra atravessaria o
, penetrando nas águas do Mar do Sul (assim batizado por
), e batizando o oceano em que entravam como
por contraste às dificuldades encontradas no Estreito. Depois de cerca
de quatro meses, a fome, a sede e as doenças (principalmente o
) começaram a dizimar a tripulação. No
que encontrou as nebulosas que hoje ostenta o seu nome - as
, alcançaram a ilha de Ladrões, no arquipélago de
chegando à ilha de Cebu nas atuais ilhas Filipinas em 7 de abril.
Imediatamente começaram com os nativos as trocas comerciais; boa parte
das grandes dificuldades da viagem tinham sido vencidas. Dias depois,
porém, Fernão de Magalhães morreu em combate com os nativos na ilha de
A expedição prosseguiu sob o comando de
, deixando Cebu no início de março de 1522. Dois meses depois, seria comandada por Juan Sebastián Elcano.
Uma única nau tinha completado a circum-navegação do globo ao alcançar
. Juan Sebastián Elcano, a restante
tripulação da expedição de Magalhães e o último
da frota regressaram decorridos três anos após a partida. A expedição
de facto trouxe poucos benefícios financeiros, não tendo a tripulação
Uma dança sacode a terra inteira.
E sombras disformes e descompostas
De quem é a dança que a noite aterra?
São os Titãs, os filhos da Terra
Que dançam da morte do marinheiro
Que quis cingir o materno vulto-
Cingi-lo, dos homens, o primeiro-
Na praia ao longe por fim sepulto.
Dançam, nem sabem que a alma ousada
Do morto ainda comanda a armada,
Pulso sem corpo ao leme a guiar
As naus no resto do fim do espaço:
A terra inteira com seu abraço.
E sombras disformes e descompostas,
Mensagem (1934) - Fernando Pessoa
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