A Amazônia como plataforma para inovação, desenvolvimento de produtos e geração de impacto socioambiental positivo foi o tema do Sustainable Day Natura, realizado na última quarta-feira (2), na sede da companhia, em São Paulo. O encontro apresentou a experiência da Natura na região e reuniu empresas que desenvolvem modelos de negócio associados à sociobiodiversidade, com discussões sobre ciência, cadeias produtivas, comunidades e regeneração. A Natura é mantenedora da Aberje.
Ao abrir o encontro, Bruna Menezes , coordenadora de Sustentabilidade da Natura, dimensionou tanto a diversidade da região quanto seu potencial econômico. A Amazônia reúne cerca de 400 bilhões de árvores e 47 milhões de habitantes, dos quais 26,7 milhões estão no Brasil, além de 410 grupos indígenas e aproximadamente 300 idiomas. Segundo dados apresentados por Bruna, a bioeconomia representa um potencial global estimado em US$7,7 trilhões, enquanto a participação brasileira corresponde atualmente a apenas 0,17% desse mercado.
Para ngela Pinhati , diretora de Sustentabilidade da Natura, ampliar esse potencial exige atuação conjunta entre empresas e setores. 'Não se trabalha esse tema sozinho, temos de formar redes', afirmou. A perspectiva foi retomada ao final do evento por Ana Costa , vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico, Reputação e Assuntos Corporativos da companhia, ao defender que problemas complexos exigem soluções sistêmicas e resultados sociais, ambientais, humanos e financeiros.
Da biodiversidade ao desenvolvimento de produtos
A relação da Natura com a Amazônia começou há 25 anos, com o lançamento da linha Ekos. Gabriela Weber , gerente de Sustentabilidade da empresa, destacou que a atuação foi ampliada ao longo desse período, incorporando o relacionamento com comunidades agroextrativistas, sistemas produtivos e diferentes áreas da organização. A estratégia integra a ambição da companhia de se tornar um negócio regenerativo até 2050 e vem ganhando um foco maior em inovação e novos negócios.
Esse processo envolve ciência e conhecimento local desde a origem das cadeias. A área de Pesquisa e Desenvolvimento da Natura reúne hoje 425 profissionais, mais de 150 deles mestres e doutores, e acumula mais de mil patentes depositadas. Entre as frentes apresentadas estão sistemas produtivos sustentáveis, transferência de tecnologia para comunidades, mapeamento digital de árvores, processos de extração e transformação e o desenvolvimento de bioingredientes.
Alice Machado , gerente sênior de Bioingredientes, Ciências do Futuro e Bem-Estar da Natura, destacou que a proposta é combinar alta performance dos produtos com impacto positivo, tendo a sociobioeconomia como base para novos modelos de negócio. 'O valor é para o negócio e para a comunidade', afirmou. A executiva também apresentou a Natura Ingredientes, iniciativa de corporate venture building voltada à valorização da sociobiodiversidade brasileira e à regeneração da Amazônia.
Experiências de outras empresas mostraram diferentes caminhos para transformar ativos da floresta em produtos competitivos. Max Petrucci , CEO e fundador da Mahta, apresentou o conceito de 'market-driven regeneration', no qual o desempenho do produto é condição para ampliar o impacto. Em Rondônia, a empresa utiliza a torta da castanha, resíduo do processamento, para produzir um ingrediente proteico vegetal. 'Não existe floresta sem as pessoas', afirmou.
Solange Meireles , especialista em cadeias produtivas da VEJA (nome atual da fabricante de tênis Vert), apresentou o trabalho da marca com borracha nativa da Amazônia. A empresa compra o insumo de cooperativas e associações aprovadas, bonifica famílias por boas práticas de manejo e utiliza ferramentas de monitoramento do desmatamento. Com a evolução da cadeia, a participação de borracha nativa nas solas dos tênis passou de 17% para 50%, associando rastreabilidade, geração de renda e conservação da floresta.
(0)Comments