Da Redação do BNC Amazonas*
Publicado em: 07/09/2026 às 14:45 | Atualizado em: 07/09/2026 às 14:45
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes antes de decidir como conduzir a crise interna que ganhou gravidade sem precedentes na história recente da Corte.
Fachin deu prazo de cinco dias para que os dois ministros se manifestem, período que termina na próxima sexta-feira (11). Após receber as explicações, o presidente do STF poderá decidir se leva o caso para julgamento no plenário, em sessão aberta ou fechada.
Outra possibilidade é a convocação de uma reunião reservada no gabinete da Presidência, com a participação de todos os ministros, para definir uma saída para o impasse.
A crise se intensificou na última semana após a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos de investigação envolvendo Moraes e Mendonça.
No episódio mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário um relatório da Polícia Federal que aponta uma relação de proximidade entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master e investigado por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e corrupção de autoridades.
Diferentemente de crises anteriores, Fachin decidiu concentrar em um processo próprio, sob sua relatoria, todos os documentos e pedidos relacionados ao caso. Entre eles está uma manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pede a anulação do relatório da PF liberado por Mendonça.
Gonet argumenta que somente o plenário do Supremo poderia ter autorizado o avanço de investigações contra um integrante da própria Corte. O procurador-geral, no entanto, também é citado no relatório da Polícia Federal por possíveis ligações com Vorcaro.
Alexandre de Moraes, por sua vez, pediu que André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Para fundamentar o pedido, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF que sugere a possibilidade de Mendonça direcionar investigações do caso Banco Master contra desafetos políticos.
O documento, contudo, não é assinado e traz na capa a advertência de que contém conjecturas sem valor probatório.
Nesse sentido, o Regimento Interno do STF estabelece que cabe exclusivamente ao plenário processar e julgar membros da própria Corte, mas não detalha os procedimentos para situações como a atual. Embora considerada improvável, também existe a possibilidade de Fachin tomar individualmente uma decisão sobre eventual arquivamento ou abertura de investigação contra os ministros envolvidos.
*com informações da Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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